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"Se não é político profissional porque recebe a reforma?"

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david mandim  

Já em clima de arranque de campanha, Mário Soares lançou ontem um forte ataque a Cavaco Silva. "Quando um candidato diz que não é político profissional, o que é quer quer dizer com isso? Não foi político profissional durante os dez anos em que foi primeiro-ministro? Então porque tem direito à reforma de antigo primeiro-ministro? A política não é uma vergonha, é uma das actividades mais nobres que há", atirou o candidato à Presidência da República apoiado pelo PS, conseguindo levar as centenas de apoiantes ao rubro, na sala do edifício da Alfândega do Porto onde decorreu a apresentação da Comissão Nacional de Honra, em que se incluem mais de 700 personalidades.

Foi o arranque da pré-campanha a sério, como o próprio Mário Soares admitiu durante o discurso. Sempre com Cavaco Silva como termo de comparação, o antigo presidente da República deixou claro que vai querer discutir tudo, "com todos os meios que estiverem ao dispor". Os debates permanentes com os outros candidatos, o diálogo constante com os portugueses e a discussão do futuro serão linhas de base de uma campanha que Soares pretende "completamente diferente do que se fez até hoje".

Em relação aos debates, reconheceu que "poderá haver resistência da parte de outras pessoas". "Admito que não queiram um debate natural e espontâneo e venham com razões técnicas para recusar os debates", criticou.

Prosseguindo numa linha claramente distanciadora do seu principal adversário, centrada nas diferenças de personalidade, Mário Soares evidenciou a sua faceta de democrata que não tem receio do confronto político. "Tem que ser uma campanha de ideias. São precisas ideias próprias para lutar", disse, dirigindo-se aos mais jovens. Pediu que discutam "com algum inconformismo e irreverência".

Mas para que toda a discussão se faça abertamente e chegue ao País, Soares espera que "os órgãos de comunicação social possam dar um particular contributo prestigiando-se pela sua isenção". "Só peço isso", disse. De resto, a prometida "campanha afectiva" está já em marcha. "Vai ser quase porta a porta. Mas não é com o homem-orquestra. Envolve todos e todos podem falar", garantiu o candidato.

Ontem, Mário Soares quis também clarificar duas preocupações. "Dizem Para que quer ir para Belém se já lá esteve duas vezes? Como se fosse uma dádiva, uma maneira de obter mordomias especiais. É algo que implica grandes riscos. Ora, eu assumi-os. Percebam isto de uma vez por todas. Senti um dever absoluto, num momento em que o País precisa de mim." A outra é a idade. Aos 82 anos, diz que não quer ser uma estátua, sendo uma pessoa viva. E para empolgar as hostes, vincou: "Não tenhamos ilusões. Esta candidatura vai ser vitoriosa, não tenho dúvidas."


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