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susana salvador
O chefe de gabinete do vice-presidente dos EUA pediu ontem a demissão depois de ter sido acusado de obstrução à justiça, perjúrio e falso testemunho, no caso da revelação aos jornalistas da identidade de Valerie Plame, uma agente da CIA (ver caixa lateral). Lewis Libby, número dois de Dick Cheney, foi o único indiciado pelo procurador Patrick Fitzgerald, mas as investigações que começaram há quase dois anos continuam para averiguar a eventual culpabilidade do conselheiro do Presidente Bush, Karl Rove, ou de outras pessoas.
A acusação alega que os esforços do júri para investigar a origem da fuga de informação foram "obstruídos" quando Libby mentiu "conscientemente" sobre "o como e o quando" tinha sabido da identidade de Valerie Plame, e de como tinha depois "revelado informações confidenciais" sobre a agente. O chefe de gabinete de Cheney tinha dito ao FBI, sob juramento, que soube do nome de Plame através dos jornalistas, quando na realidade "três responsáveis governamentais" lhe tinham revelado que ela era da CIA, disse Fitzgerald.
Libby foi acusado de um crime de obstrução à justiça, dois de falso testemunho e dois de perjúrio. Caso seja considerado culpado, enfrenta uma pena máxima de 30 anos e uma multa de 1,25 milhões de dólares (mais de um milhão de euros). "Comprometer a segurança nacional é um assunto muito sério", referiu Fitzgerald, lembrando contudo que o chefe de gabinete do vice-presidente tem direito à presunção de inocência.
"Libby informou-me que se ia demitir para contestar as acusações", disse Cheney, acrescentando que aceitou a demissão com "profunda tristeza". A indiciação de Libby, que era também assistente do Presidente, representa um sério revés para a Administração Bush, já fragilizada pela contestação interna à guerra do Iraque, pelo furacão Katrina ou pela retirada da candidatura de Harriet Miers para o Supremo Tribunal. A taxa de aprovação do Presidente continua a baixar, estando agora nos 42%.
Fitzgerald disse ontem que a investigação "ainda não está concluída", apesar de a maior parte do trabalho estar feito. Durante a tarde, o advogado de Karl Rove - outro alto responsável indicado como fonte dos jornalistas - tinha anunciado em comunicado que o seu cliente não iria ser acusado, apesar de continuar sob investigação. "Rove vai continuar a cooperar plenamente com os esforços do procurador para terminar o inquérito", referiu Robert Luskin.
"Este caso é mais importante do que a fuga de informações altamente confidenciais. Trata-se da forma como a Casa Branca de Bush fabricou e manipulou informação em favor da guerra do Iraque e para desacreditar qualquer pessoa que se oponha ao Presidente", disse o líder da minoria democrata no Senado, Harry Reid. O marido de Valerie Plame, o ex-embaixador Joseph Wilson, tinha criticado a Administração pouco tempo antes da revelação da identidade da mulher. Para Wilson, a fuga de informação teve como objectivo desacreditá-lo.
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