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Atelevisão continua a ser o centro das atenções de qualquer campanha política. Mas, ano após ano, a blogosfera vem-se afirmando como um terreno paralelo cada vez mais importante para o debate político. A televisão oferece-nos debates e acções de campanha pensadas sobretudo em função de uma faixa dos eleitores, os indecisos. Enquanto os candidatos tentam seduzir através da imagem ou do soundbite, os eleitores tendem a avaliá-los mais pela postura do que pelo discurso. Quem tenha dúvidas, só tem que recordar o caso do aperto de mão falhado ou a mobilização intermitente de Bárbara Guimarães, na campanha das autárquicas.
Ontem, foi a vez de Cavaco regressar à antena, dois dias após Soares ter apresentado o seu manifesto eleitoral. Em ambos os casos, o acontecimento político foi dobrado por um pseudo-acontecimento mediático. Lembramo-nos mais das bandeiras no lançamento da candidatura de Cavaco do que do discurso. A política na televisão é como a telenovela procura a ocasião para gerar o grande acontecimento que deixe marcas na memória do eleitor distraído.
Este é o mundo que está à superfície. Num outro tipo de ecrãs, a blogosfera transformou os padrões da liberdade de expressão na Internet. Tudo por causa de uma ferramenta simples que permite a qualquer um criar a sua página online sem esforço uma tecnologia democratizadora, como dizem os especialistas. É apenas o uso da tecnologia que é democratizado ou é também a liberdade de expressão?
A resposta é, obviamente, que a blogosfera criou novas condições para a expressão pública de opiniões divergentes do mainstream político e mediático. A importância da blogosfera é precisamente a de permitir outro tipo de discursos. O melhor exemplo foi a campanha lançada na blogosfera exigindo ao Governo a divulgação dos estudos sobre o aeroporto da Ota. Um exemplo de exercício da cidadania através da Web que, apesar de tudo, ainda é raro entre nós. Paralelamente, é significativo que os blogues sejam armas de combate político de campanhas e de apoiantes de campanhas. Isso mostra como a importância da blogosfera passou a ser reconhecida no meio político. E não é só por os blogues comentarem, às vezes quase em directo, as telecerimónias eleitorais. É por compreenderem que, embora atingindo apenas um grupo restrito de cidadãos (apenas aqueles que têm acesso à Net), a blogosfera introduz ideias e discursos alternativos aos dos meios de comunicação. E as ideias, muitas vezes, contam mais do que os números - algo que tendemos a esquecer quando pensamos apenas nos números das sondagens ou das audiências.
Que influência terá na campanha o fórum político que dá pelo nome de blogosfera?
Miguel Gaspar
e-mail
miguel.gaspar@dn.pt
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