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Irão quer "apagar" Estado hebraico

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susana salvador  

A declaração de que "Israel deve ser apagado do mapa", proferida ontem pelo Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, levantou vivos protestos da comunidade internacional. EUA e Israel foram mesmo mais longe, garantindo que esta é mais uma prova de que o programa nuclear iraniano tem como objectivo a construção de armas de destruição maciça.

"Como disse o imã [Khomeiny], Israel deve ser apagado do mapa", afirmou, em Teerão, Ahmadinejad numa conferência intitulada "O mundo sem o sionismo", proferida perante quatro mil estudantes radicais. "A nação muçulmana não permitirá que o seu inimigo histórico viva no seu próprio coração", insistiu o ultraconservador líder iraniano, que preconizou a união dos palestinianos até ao "ponto de aniquilação do regime sionista".

A destruição de Israel é um dos pontos da propaganda do regime. A frase ontem proferida surge mesmo regularmente inscrita nos mísseis iranianos. Contudo, há muitos anos que nenhum alto responsável do país a afirmava publicamente. A ruptura das relações com Israel foi um dos primeiros actos diplomáticos da República Islâmica instituída em 1979. "Os dirigentes da nação muçulmana que reconhecerem Israel queimarão nas chamas da cólera do seu próprio povo", acrescentou ontem Ahmadinejad.

Estas declarações, proferidas em pleno debate sobre o programa nuclear iraniano, foram alvo da condenação da comunidade internacional. "As declarações confirmam simplesmente aquilo que dissemos sobre o regime no Irão. Sublinham as nossas inquietações", referiu o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom, disse que Teerão representa um perigo "evidente e actual". Tanto os EUA como Israel querem ver o dossier sobre o nuclear iraniano debatido no Conselho de Segurança da ONU. "Quanto mais cedo, melhor", lembrou Shalom, alertando para o "pesadelo" da eventualidade de Teerão possuir armas nucleares. Já o vice-primeiro-ministro israelita, Shimon Peres, apelou à expulsão do Irão da ONU.

França e Alemanha, dois dos três países europeus responsáveis pela negociação com o Irão, condenaram "firmemente" as declarações "inaceitáveis". O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Philippe Douste-Blazy, convocou o embaixador iraniano em Paris para obter explicações.

"Acho as declarações surpreendentes e graves porque são uma ameaça à paz e à segurança internacionais. A minha esperança é que não passem de mera propaganda, porque senão estamos perante uma crise séria", disse em Lisboa o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Freitas do Amaral.


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