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'New York Times' critica Judith Miller

por

João Pedro pereira  

Depois de ter apoiado a jornalista Judith Miller quando esta se recusou a revelar à justiça norte-americana a identidade das suas fontes num caso polémico que envolveu a identificação de uma agente da CIA (ver notícia na pág. 18), o New York Times critica agora a conduta da repórter.

No domingo, o editor público (que tem funções semelhantes às do provedor do leitor) aconselhou o jornal a rever as práticas a que Miller recorreu e que levantam "problemas de credibilidade", segundo afirmou.

Já na sexta-feira, num e-mail enviado à redacção, o editor executivo Bill Keller tinha dito que Miller terá induzido em erro o seu superior quando este tentou, em 2003, descobrir quem tinha sido o jornalista que recebeu a fuga de informação sobre a identidade da agente da CIA. Keller reconheceu ainda que falhou na forma como lidou com o caso e afirmou que devia ter falado com a jornalista quando tomou conhecimento de que esta fora chamada a testemunhar em tribunal.

O editor executivo lamentou não ter prestado atenção ao que deveriam ter sido "sinais de alarme suficientes". Keller declarou que se tivesse sabido mais pormenores sobre a relação entre Miller e a sua fonte (Lewis Libby, o braço direito do vice-presidente Dick Cheney), teria sido "mais cuidadoso" na forma como o jornal apoiou a jornalista quando esta contrariou a ordem do tribunal. Miller respondeu a Keller em declarações à imprensa e num artigo publicado domingo no site do New York Times, afirmando que as alegações do editor executivo eram incorrectas e negando ter induzido em erro os seus superiores. A jornalista disse estar orgulhosa de ter sido presa para proteger uma fonte anónima, "ainda que ela trabalhasse para a administração Bush".

polémica. Num caso que gerou controvérsia, Judith Miller, esteve presa 85 dias por se recusar a revelar a identidade da fonte que lhe tinha indicado que Valerie Plame era uma agente da CIA. A jornalista foi posta em liberdade a 29 de Setembro e testemunhou no dia seguinte, depois de Libby a ter liberto da obrigação de sigilo.

Miller, contudo, nunca escreveu sobre a agente da CIA. Palmer era casada com um oficial da Casa Branca que publicou um artigo em que afirmou não ter encontrado qualquer indício de que os iraquianos possuíssem material nuclear, um assunto sobre o qual Miller trabalhava. A identidade da agente foi divulgada pelo comentador político Robert Novak em 2003. No entanto, o tribunal considerou essencial o testemunho da jornalista.


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