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por
c. f.
Se dúvidas houvesse, teriam sido desfeitas ontem a Polónia virou definitivamente à direita, ao eleger para Presidente Lech Kaczynski, jurista profundamente católico de 56 anos, saído das fileiras do movimento sindical Solidariedade. Isto após ter dado a vitória aos conservadores nas eleições legislativas de 25 de Setembro.
Pelo caminho fica o candidato liberal, Donald Tusk, de 48 anos, apontado pelas sondagens como o favorito à substituição do ainda Presidente Aleksander Kwasniewski.
Lech Kaczynski terá logrado entre 52,8% e 53,5% dos votos, e Donald Tusk entre 47,2% e 46,4%.
Agora, Chefe do Estado e primeiro-ministro são ambos do partido Lei e Justiça (PiS), fundado em 2001, com a particularidade de Lech ser gémeo do líder desta formação, Jaroslaw Kaczynski, político que "abdicou" da liderança do Governo por forma a não diminuir as possibilidades de o irmão ser eleito. Estava consciente de que os polacos não apreciariam particularmente ter um Presidente e um primeiro-ministro iguais como gotas de água. Agradecido, Lech dedicou, ontem, a vitória a Jaroslaw. "Ele é que foi o estratego da minha campanha", declarou.
Após tomar posse em Dezembro, Lech Kaczynski, anterior presidente da Câmara de Varsóvia, terá cinco anos para coordenar a política externa da Polónia - sua principal missão, além de ser o chefe supremo das Forças Armadas.
Na primeira volta, realizada dia 9, Kaczynski tinha sido o segundo escolhido dos eleitores polacos - 30 milhões no total, mas, ontem, só 10,6 milhões foram às urnas. Para colmatar a falta de favoritismo que as sondagens lhe atribuíam, o gémeo agora Presidente lançou-se numa campanha eleitoral muito agressiva, desferindo ataques contra Berlim e Moscovo, nomeadamente, numa tentativa de "delimitar terrenos". Já enquanto autarca da capital se distinguira pelas posições radicais que ia assumindo, como quando, em 2004 e em Junho último, proibiu manifestações gay na capital.
governo. Derrotado nas presidenciais, Tusk terá, porém, uma palavra a dizer relativamente aos destinos do país, pois, por não ter conseguido maioria absoluta, o PiS dos irmãos Kaczynski vai governar a Polónia em coligação com a Plataforma Cívica (PO), cuja liderança é assegurada pelo político liberal.
As negociações entre os dois partidos, que monopolizam 288 dos 460 lugares no Parlamento, começam hoje. Já nomeado para o cargo de primeiro-ministro, Kazimierz Marcinkiewicz, perito económico do PiS, terá agora de formar um Executivo que concilie os ideais da direita conservadora e da direita liberal, ou seja, diferentes visões sobre o rumo a dar à economia, acima de tudo.
Os conservadores defendem o intervencionismo estatal em matéria de benefícios sociais, nomeadamente através da concessão de incentivos fiscais às famílias numerosas, enquanto as principais preocupações dos liberais consistem em equilibrar o Orçamento e em adoptar o euro, após a adesão, a 1 de Maio de 2004, à União Europeia (UE). A aposta nas privatizações é outra meta, mesmo que diga respeito a sectores estratégicos, como a indústria do carvão.
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