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"Fiz muitas coisas que não poderia ter feito se tivesse casado antes". Tantas que, agora, aos 40 anos, e com três filhos entre os cinco e um ano de idade, não sente falta das saídas, nem de deixar o País à procura de outras culturas ou de outras experiências. Teresa, assim se chama esta "mãe tardia", passou os últimos cinco anos a mudar fraldas, fazer biberões e a chocar com os brinquedos que invadem a casa. Sem recriminações.
"Vivi o suficiente antes. Tão intensamente que passei muito bem para esta fase feliz da minha vida. Fiquei muito contente quando engravidei. Sempre desejei ter filhos", explica.
A Teresa tem responsabilidades directivas numa empresa ligada à moda, cargo que exige responsabilidades e disponibilidade física, mas que é compensado pela falta de rigidez nos horários. O que quer dizer que tanto pode ir buscar os três filhos ao colégio, como chegar a casa e já os encontrar a dormir. Sem dramas. As tarefas são partilhadas pelo casal e a conciliação entre a vida familiar e o trabalho é feita com o recurso aos melhores profissionais, seja na empresa ou em casa. Os meios económicos da família assim o permitem.
Esta mulher de 40 anos não escolheu ter filhos tarde e até pensava encher a casa com muitas crianças. Simplesmente, só aos 34 anos encontrou o marido e aquele que considera ser o pai ideal. E argumenta "Não encontrei ninguém antes com quem quisesse casar e fui adiando. Tudo aconteceu muito naturalmente". Mas a verdade é que, reconhece, ter entrado mais tarde nesta nova etapa da vida a beneficiou a nível profissional. Concentrou-se mais na carreira.
O marido é dez anos mais velho e tem mais quatro filhos do anterior casamento, com idades muito superiores às crianças da nova família. Mas o casal rejeita a classificação de "pais/avós". "Nem pensar, até acho que sou bastante exigente", diz a mãe.
Teresa é licenciada em economia, curso que acabou aos 22 anos. Começou logo a trabalhar e, ao fim de nove anos, decidiu tentar outras experiências e escolheu os Estados Unidos. Foi neste país que se especializou em merchandise de moda. Depois do curso, regressou a Portugal, mas não por muito tempo. Ao fim de três anos de intensa actividade, resolveu "alistar-se" como voluntária e foi trabalhar com uma comunidade de índios no Brasil, onde permaneceu três meses.
Andava nesta vaivém entre Portugal e o estrangeiro quando encontrou o "pai encantado". Tinha 34 anos. Casaram-se, tiveram três filhos e é provável que fiquem por aqui. Isto porque todos os partos foram feitos com o recurso a cesariana, e uma nova gravidez comportaria demasiados riscos. Teresa explica que foi o tamanho dos bebés que obrigou à cirurgia.
As três gravidezes passaram "lindamente", conta a mãe, e só nos últimos dois filhos abrandou um pouco o ritmo de trabalho. Sabia que eram situações de risco e andou sempre muita atenta ao evoluir da barriga, mas não fez a amniocentese, embora estando informada que as probabilidades de deficiências do feto aumentam com a idade da mãe, como o mongolismo. "Teria sempre o bebé e não quis correr riscos", explica.
Maturidade e tranquilidade são as vantagens que sente ter em relação às mães mais novas. Desvantagens? Agora, não as encontra, mas imagina como será aos 60 anos, quando a filha mais nova tiver 20. Pensa que terá menos energia.
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