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Londres quer discutir reformas europeias

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luís naves  

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, estará hoje em Paris para se encontrar com o presidente Jacques Chirac e o chefe do Governo francês, Dominique de Villepin. A crise europeia e a aprovação do orçamento da UE para o período entre 2007 e 2013 (conhecido por perspectivas financeiras) estarão em pano de fundo.

Blair detém a presidência rotativa da União e as fontes britânicas afirmam que a questão orçamental não estará na agenda do encontro. No entanto, o responsável pela diplomacia francesa, Philippe Douste- Blazy, pressionou ontem Blair, num apelo ao primeiro-ministro para que este facilite a aprovação do orçamento comunitário, para, segundo disse, não prejudicar os novos Estados da UE.

"Este orçamento é muito importante para os novos Estados membros, pois permitirá financiar o alargamento", disse Douste-Blazy. "Vemos os esforços dos países de Leste e dizem-lhes não, quando chegam à mesa das negociações", lamentou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

O diferendo entre França e Reino Unido está no coração da crise europeia. Em Junho, antes de assumir a presidência da UE, Blair inviabilizou o orçamento, ao recusar cortes na devolução de verbas a que Londres tem direito, denominada "cheque britânico", e cuja função é reequilibrar a contribuição líquidaque cabe a cada país.

Na cimeira de Junho, Blair abriu uma nova frente de conflito com os franceses, ao contestar a elevada proporção de dinheiro que a UE gasta na sua política agrícola comum. A França é a grande beneficiária desta política. Oficialmente, o encontro de hoje entre britânicos e franceses visa preparar a cimeira informal da UE que se realizará no Reino Unido, no final do mês. O encontro de Londres servirá para discutir o modelo social, as ambições europeias e a segurança dos cidadãos.

França e Reino Unido estão em rota de colisão em alguns destes temas, sobretudo sobre as reformas necessárias para contrariar os efeitos da globalização. O actual equilíbrio de poder no interior da UE poderá, no entanto, ser alterado pela formação de um novo Governo na Alemanha. A confirmar-se Angela Merkel como chanceler, Chirac estará mais isolado.


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