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por
martim silva
Terão sido as medidas do Governo, a economia que não arranca, as férias do primeiro-ministro, as polémicas dos jobs e dos boys, o desemprego? Apenas alguns dos assuntos mais quentes ou todos eles juntos? A verdade é que seis meses depois de ter tomado posse, José Sócrates, o seu Governo e o partido que lidera levam um trambolhão valente, vendo-se ultrapassados pelo PSD nas intenções de voto dos portugueses, o que não sucedia há dois anos. Então, recorde-se, estava Durão Barroso no Governo, era Ferro Rodrigues líder do PS e os socialistas tinham sido atingidos em cheio pelos estilhaços do escândalo de pedofilia da Casa Pia.
De acordo com o Barómetro da Marktest para o DN e TSF relativo ao mês de Setembro, o Partido Socialista cai nove pontos na intenção de voto dos portugueses, baixando dos 43 por cento de Julho (em Agosto, devido ao Verão, não se publicou o barómetro) para uns escassos 34 %. Em sentido inverso, o PSD de Luís Marques Mendes é quem mais "lucra" com o descontentamento em torno dos socialistas, subindo oito pontos, dos 31 para os 39 por cento na intenção de voto dos portugueses.
A última vez que o PSD liderou as intenções de voto neste barómetro foi no já longínquo mês de Outubro de 2003. Nessa altura, as manchetes eram dominadas por ramificações do processo Casa Pia a divulgação de escutas telefónicas envolvendo altos dirigentes socialistas e a libertação de Paulo Pedroso e o seu regresso à Assembleia da República depois de cinco meses de prisão preventiva. O PS vivia o seu "inferno".
Marques Mendes estava do outro lado, era então ministro dos Assuntos Parlamentares, e desde aí que só viu (praticamente mês sim, mês sim) o partido laranja em queda. O culminar seriam mesmo as eleições legislativas de Fevereiro passado, em que o PS obteve a primeira maioria da sua história e o PSD, liderado por Pedro Santana Lopes, não logrou atingir os 30 por cento dos votos dos portugueses.
Agora, meio ano passado, a tendência inverteu-se, e ainda por cima de forma abrupta. Mas talvez não inesperada, dada a elevada contestação social que as medidas de José Sócrates têm provocado. Lembrem-se apenas os protestos, mais ou menos ruidosos, de polícias, guardas republicanos, militares, juízes, magistrados do Ministério Público, funcionários judiciais, professores, etc., etc., face às alterações nos regimes de aposentação e de assistência na doença.
Lembrem-se também o conjunto de nomeações governamentais ou para empresas com capitais públicos de nomes ligados ao Partido Socialista, como sejam os casos de Fernando Gomes, para a Galp, de Armando Vara, para a Caixa Geral de Depósitos, ou, mais recentemente, do deputado Guilherme D'Oliveira Martins para presidir ao Tribunal de Contas. Tudo matéria vastamente aproveitada pelas oposições.
Ao mesmo tempo, o Verão foi quente e fértil em incêndios, e também aí a oposição não poupou mimos ao Governo, chegando a criticar o primeiro-ministro por ir de férias em pleno período de fogos florestais.
Era, no entanto, previsível que em momentos de aperto do cinto e de crise económica estas críticas, justas ou injustas, acabassem por desgastar e criar mossa num Governo que tem, com o argumento da manutenção do Estado social, mexido com aquilo que tradicionalmente se chamam os "direitos adquiridos", nomeadamente na função pública.
Este descontentamento é captado em termos de intenção de voto, no essencial, pelo PSD. Os partidos mais à esquerda, que aliás muito críticos têm sido da política do Executivo de José Sócrates, não vêem de forma tão explícita transformados em votos os decibéis de protestos nas ruas. Enquanto o PCP sobe dos oito por cento na intenção de voto dos portugueses para a fasquia dos 10 por cento, o Bloco de Esquerda sobe apenas um ponto, dos nove que conseguia em Julho para os mesmos dez que os comunistas agora têm.
idade. É nas mulheres (41,4%) e nos mais idosos (45,1) que o PSD alcança os resultados mais elevados, enquanto o PS revela clara dificuldade em agarrar o eleitorado mais jovem, entre os 18 e os 34 anos, ficando-se pelos 28,9 por cento. No Interior Norte o PSD tem o melhor resultado, com 51,7 %, mas também no Litoral Norte obtém um bom score, com 37,5%. Já os socialistas obtêm 39,9% no Grande Porto. Na área de Lisboa também os sociais-democratas levam vantagem, com 35% das intenções de voto, contra 29% do PS.
Dentro de 10 dias os portugueses vão a votos, nas eleições autárquicas. Resta saber de que cor será o cartão que o PS vai receber do eleitorado...
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