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Autoeuropa faz depender aumentos das horas extraordinárias

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leonor matias  

Os trabalhadores da Autoeuropa vão ter os aumentos salariais descongelados já em 2006, garantiu ao DN Emilio Sáenz. Contudo, realça o director-geral da empresa, "numa conjuntura negativa como a que a indústria automóvel atravessa, não podemos falar num aumento de 5%, como a Comissão de Trabalhadores reivindica . É impensável". O pagamento das horas extraordinárias aos fins-de-semana é outro ponto a negociar. A Autoeuropa quer reduzir a percentagem a pagar, para valores compatíveis com os pagos noutras fábricas do grupo VW. Em cima da mesa está um valor - 25%, muito abaixo dos 200% e dos 500% pagos actualmente. " Esta questão está difícil de negociar. E se não a solucionarmos vamos ter problemas. Este é um dos piores pontos que temos actualmente".

Para o director-geral da Autoeuropa as horas extraordinários representam um handicap, que terá de ficar obrigatoriamente resolvido nas negociações com os trabalhadores, para "sermos efectivamente competitivos com os países de Leste", e da negociação desta questão " depende o acordo sobre os aumentos salariais" , diz. Tudo o que diz respeito ao pagamento de horas extraordinárias ao fim-de-semana, "em Portugal é uma autêntica loucura", acrescenta.

O responsável da unidade de Palmela salienta que aos sábados as horas são pagas a 200% e a 500% nos domingos, "não há quem possa suportar estes custos", refere. "Se chegarmos a um acordo em que as horas extraordinárias sejam colocadas de forma racional e competitiva com outras fábricas, podemos pensar em aumentos salariais".

Emilio Sáenz adianta que quando são necessárias "pessoas para trabalhar ao fim de semana, são 200% ao sábado, mais um dia de compensação e ao domingo, se forem mais de 8 horas pagam-se a 500%".

A Autoeuropa quer equiparar o pagamento das horas extraordinárias às fábricas, com que a Autoeuropa concorre directamente. E Emilio Sáenz aponta as fábricas de Pamplona e de Bratislava, como as principais rivais da unidade de Palmela, e "onde o adicional está estabelecido em 25%".

Durante os últimos dois anos, a Autoeuropa não teve aumentos salariais, e foram negociados dias de não produção, que este ano foram fixados em 11 dias. Contudo, realça Emilio Sáenz, "os trabalhadores receberam o mesmo ordenado. Em outras fábricas da concorrência pagou-se consoante os dias trabalhados. O acordo negociado em 2003 foi exemplar, mas foi para as duas partes".

As negociações para o novo acordo começaram este mês, mas adianta o responsável da fábrica, "a ideia é não ter mais dias de não produção. Não queremos fazer mais reduções". A Autoeuropa está já a produzir o VW Eos para os testes finais, e em Dezembro vai iniciar a produção em série. Na mesma altura termina a produção do Galaxy da Ford.


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