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filipe santos costa
Cavaco Silva tem uma enorme vantagem sobre os seus adversários na corrida ao Palácio de Belém, mas, de acordo com os dados do barómetro elaborado pela Marktest para o DN e a TSF, a folga poderá não ser suficiente para vencer as eleições presidenciais à primeira volta. Se tiver que disputar um segundo sufrágio, Manuel Alegre poderá ser um adversário mais complicado do que Mário Soares. Mas nem um nem outro beliscam as hipóteses do professor, que esmaga na segunda volta.
O barómetro aparentemente confirma a tese de que a pulverização de candidatos à esquerda poderá dificultar uma vitória de Cavaco Silva no primeiro sufrágio. Perante quatro candidatos fortes à sua esquerda, o antigo líder do PSD atinge os 48,6%. No entanto, este valor deve ser olhado com cuidado. Por um lado, porque Cavaco fica a 1,4% da almejada maioria absoluta, uma diferença que está dentro da margem de erro da sondagem (3,46%). Por outro lado, estes resultados não têm distribuição de indecisos - o que, só por si, poderia colocar Cavaco acima dos 50%.
Alegre mais mobilizador. Na primeira volta, Cavaco fica muito à frente de Soares, que não ultrapassa os 14,5%. A seguir ao candidato apoiado pelo PS surge outro socialista Alegre chega aos 10,9%. No entanto, há que chamar a atenção para o facto de o trabalho de campo da sondagem ter decorrido entre os dias 20 e 26, sendo que o anúncio da candidatura de Alegre aconteceu a meio deste período, no dia 23.
No braço-de-ferro entre socialistas, há um dado importante Soares tem vantagem sobre Alegre na primeira volta - ou seja, a existir uma segunda volta, seria ele o mais bem colocado para o tira-teimas -, no entanto, é Alegre quem consegue o melhor resultado contra Cavaco quando os inquiridos são confrontados com uma segunda volta.
O professor de Finanças Públicas é o vencedor em qualquer caso, sempre com intenções de voto da ordem dos 58%, mas Alegre consegue um melhor score do que Soares. Se passasse à segunda volta com Cavaco, o deputado socialista chegaria aos 25,4%. Mas se o segundo sufrágio fosse entre Cavaco e Soares, este ficaria pelos 22,7%.
A reforçar esta indicação, verifica-se que, com Alegre na segunda volta, são menos os inquiridos que tendem para a abstenção. Com o nome do poeta em jogo, só 8,7% assumem que não votam em nenhum dos candidatos. Valor que sobe para 11,9% quando a hipótese é o ex- -Presidente da República a disputar a eleição com Cavaco.
No outro duelo à esquerda na primeira volta, entre o comunista Jerónimo de Sousa e o bloquista Francisco Louçã, é este quem leva a melhor. Louçã recolhe a confiança de 6% dos inquiridos na sondagem, ou seja, tem intenções de voto ao nível do resultado do Bloco de Esquerda nas legislativas de Fevereiro. Já Jerónimo fica aquém da fasquia eleitoral da CDU e surge apenas em quinto lugar.
PS segue Soares. Olhando para os resultados da primeira volta, percebe-se que a folga de Cavaco é garantida em todos os tabuleiros. Qualquer que seja a fatia do eleitorado em causa, o professor surge com grande vantagem. O ex-primeiro-ministro consegue os melhores resultados parcelares se tivermos em conta a estratificação por regiões fica acima dos 50% em todo o Norte do País e consegue 48% nas grandes áreas urbanas de Lisboa e Porto. Por idades, o seu melhor resultado (53,9%) é no eleitorado com mais de 55 anos.
Olhando ao detalhe o duelo entre Soares e Alegre na primeira volta, o ex-Presidente leva quase sempre a melhor, mas nem sempre. Alegre bate-o no escalão etário entre os 35 e os 54 anos (14,2% contra 10,6), mas Soares tem vantagem entre os mais jovens e os mais idosos. O poeta bate o antigo líder do PS em duas regiões Grande Lisboa (16,3% contra 10,5) e Litoral Centro (16,8% contra 11,4%).
Por estratos sociais, Alegre tem uma ligeira vantagem sobre Soares nas classes alta, média-alta e média, mas Soares bate-o na classe baixa e média-baixa. A maior vantagem do ex-Presidente sobre o seu rival socialista é entre o eleitorado do PS - 45% seguem a indicação dada por Sócrates, mas 17,9% optam por Alegre.
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