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Crime pára a luta eleitoral em Trancoso

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alfredo teixeira  

Miguel Madeira escolheu o primeiro dia de campanha eleitoral para entregar as fotografias na gráfica que iria produzir os cartazes e os panfletos da sua recandidatura à presidência da Junta de Freguesia de Vila Franca das Naves. Antes, foi resolver um problema entre vizinhos e foi assassinado. Em Trancoso (Guarda), PSD e PS suspenderam as campanhas e no funeral do autarca, que se realiza hoje pelas 1800, estará presente o secretário-geral do PSD, Miguel Macedo.

"Nada fazia prever uma situação destas", afirmou ao DN o vice-presidente da Câmara de Trancoso, liderada pelos sociais-democratas e que ainda não sabem como a situação será agora resolvida na freguesia de Vila Franca das Naves. "Não sabemos se nesta fase será possível a substituição de candidatos, mas penso que o normal é que passe a liderar a lista o número dois", refere António Oliveira. Desta forma, tudo aponta para que a candidata na freguesia passe a ser Adelina Ferreira. Entretanto, o PSD suspendeu as acções de campanha até sexta-feira e o PS fez o mesmo, mas por dois dias, ontem e hoje.

Na freguesia de Vila Franca das Naves o ambiente vivido ontem era de consternação. O autarca assassinado era "uma pessoa querida da população" e tudo indicava que iria ganhar novamente a presidência da junta. Miguel Fernando Carvalho Madeira tinha 37 anos e foi assassinado por motivos que nada se prendem com as eleições. Há muito que as queixas chegavam à junta contra João Castro Loureiro, de 60 anos. Colocava à porta de casa, já em plena via pública enormes pedregulhos com o intuito de evitar o estacionamento em frente da sua moradia. Os vizinhos não gostavam e quando protestavam eram constantemente ameaçados pelo morador, que esteve emigrado em França mas residia na freguesia há 20 anos.

Miguel Madeira já tinha notificado a família para retirar as pedras, ordem que nunca foi acatada. Ontem, João Loureiro sabia que o presidente iria, durante a manhã, a sua casa para, com dois funcionários, remover os obstáculos. "Isto foi tudo obra da mulher. Ele é meio doido e pouco aparecia cá fora porque estava com pena suspensa por ter agredido uma das vizinhas. Mas ela é má e incitava-o à violência", disse ao DN Maria de Lurdes Matias, "ainda não refeita de tão trágica notícia".

Quando Manuel Madeira chegou ao local deixou os dois funcionários à porta do alegado autor do crime e avançou com a carrinha mais alguns metros. João Loureiro sai de casa e ameaça os funcionários. Pouco depois, dirigiu-se ao autarca que no interior da viatura falava ao telemóvel e disparou dois tiros de caçadeira. Depois barricou-se em casa, mas acabou detido pela GNR. Mais tarde, o mesmo aconteceria à sua mulher por suspeita de co-autoria moral do crime. Os moradores afirmam que ela terá gritado ao marido na altura do crime "Mata-o, mata-o."

"Ele era doido e mau e agora em tribunal vão dá-lo como maluco e fica tudo em águas de bacalhau", considera Gracinda Caetano, entre um grupo de munícipes que falavam sobre o assunto no centro da vila, junto à casa onde a vítima morava com os pais, mesmo ao lado da junta de freguesia. Miguel Madeira era também comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves, corporação que começou por ser uma secção dos Bombeiros de Trancoso mas que ganhou vida própria pelo trabalho desenvolvido pelo autarca.


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