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por
filipe santos costa
No primeiro dia oficial de campanha eleitoral, Manuel Maria Carrilho fez o que fez melhor na pré- -campanha distribuiu panfletos e beijinhos pela rua, acompanhado pela mulher, Bárbara Guimarães.
O número, que se poderia chamar "Bárbara Guimarães e o marido" (com a devida vénia às vendedoras do Mercado 31 de Janeiro que lançavam a exclamação "Olha a Bárbara Guimarães e o marido!"), implica dois protagonistas, um transeunte e assessórios (panfletos para ele, rosas vermelhas para ela). É assim
Ela "Bom dia, posso oferecer- -lhe uma flor?"
(O transeunte ainda se está a recompor do espanto de ver a Bárbara Guimarães surgir-lhe à frente, ainda mais linda e sorridente do que na televisão, é de imediato abordado por Carrilho, que lhe entrega um panfleto de propaganda).
Ele "É para lembrar que temos eleições no dia 9 e eu gostava muito de poder contar com o seu voto para mudar a cidade." E pronto. Carrilho e Bárbara seguem para a enésima repetição das mesmas deixas, ela a empurrá-lo docemente com a mão no fundo das costas.
"A acompanhar". Com a mesma graciosidade com que responde à curiosidade do povo sobre o pequeno Dinis Maria ("Está óptimo!"), Bárbara recusa-se a falar aos jornalistas sobre o seu papel nesta campanha. "Estou só aqui a acompanhar o meu marido", repete. O papel é óbvio. Uma das candidatas à Junta de Freguesia de Alvalade, por onde a comitiva andou ontem, estava convencida que "a simpatia da Bárbara" vale votos. Se não valesse, não andava por ali.
Entre uma visita ao mercado e um passeio por Alvalade, Carrilho esteve na Zona J de Chelas, um dos bairros mais degradados da cidade, onde não fez campanha de rua, mas reuniu-se com a associação de moradores. No final, insistiu numa das ideias fortes do seu programa eleitoral, apresentado na véspera A necessidade de rever as rendas nos bairros sociais. "A Gebalis tem sido completamente insensível à crise económica", disse o socialista sobre a empresa municipal que gere os bairros sociais.
À saída da reunião, voltou a ser Bárbara Guimarães o centro das atenções. Três moradoras, não satisfeitas com o aceno que ela lhes lançou, desceram a pé do seu terceiro andar (coisa para mais de cinco minutos), só para darem um beijinho ao "senhor Carrilho e à menina".
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