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O exército americano libertou ontem 507 detidos na prisão de Abu Ghraib para lhes "permitir estar com a família e celebrar o mês santo do Ramadão" que começa em Outubro, podia ler-se num comunicado. As forças dos EUA e o Governo iraquiano prevêem libertar mais de mil prisioneiros durante a semana. Esta é a segunda iniciativa do género; a primeira teve lugar em finais de Agosto e levou à libertação de mil detidos de Abu Ghraib.
A selecção dos prisioneiros foi feita "após um exame minucioso do seu dossier por uma comissão iraquiana", segundo um comunicado do exército. Este revela ainda que nenhum dos libertados "é culpado de crimes violentos tais como atentados, torturas, sequestros ou homicídios".
Os americanos não esclareceram, contudo, quais as razões ou a duração da sua detenção em Abu Ghraib. Esta prisão esteve no centro de um escândalo após a revelação, em, Abril de 2004, da prática de torturas e humilhações sobre alguns prisioneiros. Após estas libertações, a população do estabelecimento prisional ficará reduzida a 10 500 indivíduos.
Esta iniciativa faz parte de "um programa governamental lançado há semanas", explicou Laith Kubba, o porta-voz do Executivo iraquiano. Interrogado sobre o facto da iniciativa tentar incentivar a comunidade sunita - de que é oriunda a maior parte dos rebeldes - a participar no referendo sobre a Constituição a 15 de Outubro, Kubba respondeu que "esta iniciativa cria melhor ambiente".
Mas à saída de Abu Ghraib, os prisioneiros encontraram um clima de violência, que ontem fez 17 mortos um pouco por todo o país. A explosão de um carro armadilhado matou sete iraquianos e feriu 27 em Bagdad. O automóvel chocou com um autocarro que transportava funcionários do Ministério do Petróleo.
Os xiitas também voltaram a ser vítimas das acções dos rebeldes. Numa aldeia perto de Iskandariyha, 60 quilómetros a sul de Bagdad, cinco professores e um motorista foram mortos por homens armados e com o rosto coberto. Três soldados americanos perderam a vida na explosão de duas bombas na capital iraquiana. O exército dos EUA, revelou ainda ter bombardeado o "reduto" da Al-Qaeda no Iraque, junto à fronteira com a Síria. "No local, encontravam-se vinte terroristas armados e combatentes estrangeiros", afirmou o comando americano.
Os sequestros também prosseguiram. A vítima foi um engenheiro egípcio, que trabalhava para uma companhia de telecomunicações, raptado no bairro de al-Amra, em Bagdad. A família do jordano Khaled Dassuki, o motorista sequestrado na semana passada, revelou que o seu corpo foi encontrado numa região desértica, com sinais de tortura.
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