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s. l.
As câmaras municipais são as principais "culpadas" pelo número de atropelamentos que anualmente causam a morte ou ferimentos irreversíveis a centenas de portugueses, acusa a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M). A falta de um plano urbanístico que permita a coabitação entre carros e peões e a má sinalização faz com que Portugal esteja no ranking dos dez países com mais mortes por atropelamento. Para o secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, este também é um problema "grave".
"As câmaras incentivam à velocidade dentro das cidades. Não há espaço para os peões. Não há estruturas de acalmia de tráfego nem espaço para o tráfego pedonal", alerta Manuel João Ramos, da Associação de Cidadãos Auto- -Mobilizados (ACA-M). "Quando vivemos numa cidade que constrói túneis que incentivam à velocidade..."
Um problema ao qual o Ministério da Administração Interna não é indiferente. O secretário de Estado Ascenso Simões diz estar consciente dele "As cidades têm um problema muito grave ao nível da sinalização, que tem que ser resolvido em conjunto com as autarquias, mas não podemos desenvolver a contratualização entre a administração central e as câmaras sem termos uma política que leve a que as autarquias façam boa sinalização e tenham atenção especial ao peão."
Para este governante, a questão principal - que espera "tratar depois das autárquicas" - é desenvolver um conjunto de acções que "levem a que os técnicos de trânsito e os técnicos das obras principais possam adequar as vias e a sinalização a novas realidades e a valorizar mais o peão perante o trânsito das cidades".
Atropelamentos. Só em 2004, de acordo com o relatório da Direcção-Geral de Viação, verificaram-se 6346 acidentes por atropelamento em todo o País. Destes, resultaram 196 mortos, 774 feridos graves e 5964 feridos ligeiros.
Na cidade de Lisboa, 1895 pessoas foram vítimas de atropelamento, sendo que 30 morreram, 230 ficaram gravemente feridas e 1785 tiveram ferimentos ligeiros. O grupo de maior risco é o dos idosos, com mais de 65 anos. No entanto, o mesmo relatório aponta ainda a faixa etária até aos cinco anos como um dos grupos de grande risco oito crianças daquelas idades morreram, 38 ficaram gravemente feridas e 319 tiveram ferimentos ligeiros. As avenidas 24 de Julho e Almirante Reis, assim como o Campo Grande, são os locais da capital onde o número de atropelamentos atinge maiores dimensões.
Estudo. Num estudo elaborado entre Março e Agosto de 2005 e apresentado na semana passada em Lisboa, Charlotte Masson explicou o problema da capital portuguesa todos os dias, entre as 10.00 e as 17.00, estão estacionados na capital 214 mil veículos. O fenómeno contribui para a degradação do espaço urbano, criando muitas dificuldades aos peões. Os túneis e a falta de espaço pedonal são outros dos pontos débeis focados no documento, disponível em www.aca-m.org.
Já em 1994 a Prevenção Rodoviária Portuguesa referia que Portugal é dos países europeus onde a relação entre o número de mortos por atropelamento e o total da população é maior. Cerca de um quarto dos mortos em acidentes de viação são peões, e mais de 60 % dessas mortes ocorrem no interior das cidades. Onze anos depois, as estatísticas mostram que essa realidade não mudou.
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