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"Não dou empregos porque não sou o eng. Sócrates"

por

filipe morais  

O discurso da candidata do CDS/PP à câmara municipal de Lisboa é assumido como politicamente incorrecto. Maria José Nogueira Pinto visitou ontem o bairro da Musgueira e , depois de ouvir vários moradores, defendeu que "fazer pedagogia" é o mais importante . "Venho explicar que não dou empregos porque não sou o engenheiro Sócrates e explicar o que a câmara pode fazer pelas pessoas que aqui vivem", porque há "uma cultura de direitos e poucos deveres e estas pessoas põem-se muito na posição de assistidas e não na posição de pessoas que têm de contribuir para as suas vidas".

A candidata sublinhou que "assiste-se mais a um fenómeno de exclusão do que pobreza e o provérbio chinês, de que é preciso ensinar a pescar, aplica-se muito bem". Nogueira Pinto entende que a sociedade tem que considerar este fenómeno e que, como candidata, tem que "vir a estes locais, mesmo que não seja bem recebida", o que chegou a acontecer. Ao ouvir algumas queixas, que passaram principalmente pelas dificuldades económicas, a candidata popular disse que as suas propostas passam pela "acção social e pelas competências. Temos obrigação de as dar às pessoas que não tiveram oportunidades, mas elas têm que estar dispostas a receber estas competências".

As queixas passaram ainda pela falta de transportes, com a residente Helena Maria, de 47 anos a explicar que "nem um autocarro nos dão". Já outro morador, que se definiu como "o presidente da sociedade dos pobres" interrogou a candidata sobre "o que vai fazer e como", criticando ainda o modelo de bairro social. No entanto, Maria José Nogueira Pinto elogiou o modelo aplicado, que junta prédios de realojamento com habitações para venda a custos controlados. "Não tenho nenhuma relutância em dizer que este modelo, que começou com João Soares e continuou com Santana Lopes, é muito mais integrador, embora saibamos que faltam outras componentes sociais que é necessário criar".

Crítica. Maria José Nogueira Pinto aproveitou ainda para criticar um patrocínio da Santa Casa da Misericórdia ao rali Lisboa-Dakar no valor de cinco milhões de euros, segundo revelou o jornal Expresso "Como candidata à câmara e tendo sido provedora da Misericórdia, tenho perfeita noção do que compete às duas entidades. Pensava que Lisboa ia contar com a Misericórdia, que não está vocacionada para um patrocínio desta dimensão. Um milhão de contos para o rali, é menos um milhão de contos para apoiar estas pessoas".


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