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Perdão histórico das dívidas dos países mais pobres

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C. F.  

Começando no Benim, passando por Moçambique e acabando na Zâmbia são 18 os países, sobretudo africanos, que, até final do ano, vão beneficiar da anulação de 40 mil milhões de dólares da sua dívida junto de três instituições credoras. A saber Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (BM) e Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). A decisão, considerada "histórica", foi adoptada, ontem, em Washington e na calha estão outros 20 países dos mais pobres entre os pobres, o que elevará o montante total perdoado a 55 mil milhões de dólares.

É a "Renascença africana" em marcha. Ou seja, a concretização de uma ideia lançada em Junho pelos ministros das Finanças do G7 (países mais industrializados do mundo) e adoptada um mês depois em Gleneagles, na Escócia, durante a cimeira do G8.

Agora, ficou decidido que este fardo da dívida bilateral será essencialmente suportado pelo BM (70%), ficando o FMI com residuais 11%.

Além disso, aguardam-se novas iniciativas neste domínio, pois os dirigentes do G8 também se comprometeram, em Julho, a duplicar a sua ajuda bilateral ao desenvolvimento até 2010, uma soma estimada em 25 mil milhões de dólares por um economista do Banco Mundial.

Beneficiários, de entre este primeiro grupo de 18 países, serão ainda a Bolívia, as Honduras, a Guiana e a Nicarágua.

corrupção. O número de africanos que vivem com menos de um euro por dia quase duplicou desde 1981, passando de 164 para 314 milhões. Exactamente a tendência contrária à registada noutras partes do mundo durante o mesmo período. Um dos motivos será, incontornavelmente, a corrupção de muitos dirigentes africanos, "alimentada" pelo fechar de olhos das nações ocidentais. Daí que Paul Wolfowitz , presidente do BM, tenha aproveitado a assembleia da instituição para elogiar a Suíça, país que, recentemente, decidiu devolver à Nigéria cerca de mil milhões de dólares. Um montante desviado para bancos suíços pelo general Sani Abacha, que governou a Nigéria de 1993 a 1998, ano em que morreu, seguindo-se-lhe o actual Presidente, Olusegun Obasanjo.


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