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FMI prevê mais 31 mil desempregados até 2006

por

rudolfo rebêlo  

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê mais 31 mil desempregados em Portugal até ao final de 2006, um crescimento da taxa de desemprego para 7,7%, em linha, aliás, com as estimativas do Executivo inscritas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), apresentado a Bruxelas em Julho passado.

As previsões do Fundo para o crescimento económico em 2005 e 2006 estão também em linha com o anunciado pelo Banco de Portugal no início do Verão, o que coloca Portugal fora da rota de convergência real com a União Europeia (ver texto em baixo). Assim, o FMI estima um crescimento de 0,5% do PIB em 2005, estimando que, no próximo ano, a riqueza produzida no país aumente 1,2%. Uma estimativa já considerada como "optimista" pelo secretário de Estado do Orçamento Emanuel Santos, na passada terça-feira, no Parlamento.

Em geral, os economistas estão de acordo sobre a "bondade" das previsões do FMI para 2006. Vítor Santos, docente do ISEG, considera que as previsões ontem divulgadas em Washington, cidade-sede do FMI, "são optimistas". O mesmo afirma Miguel Frasquilho, deputado e porta-voz do PSD para as questões económicas, para quem os "sucessivos baixos crescimentos" em relação à Europa "é o que se espera para os próximos anos".

Frasquilho culpa a "governação de Guterres" pelos actuais "maus resultados da economia", já que não "vale a pena culpar a alta do preço do petróleo". É que, diz, "se crescemos abaixo da União, é porque temos outros problemas estruturais".

Nas contas públicas também não há surpresas. Para este ano, o FMI espera um défice orçamental de 6,2% do PIB, e em 2006, 4,8% do produto interno bruto. Previsões que estão dentro das estimativas do Executivo.

Miguel Frasquilho, no entanto, duvida desta previsão para 2006, mas reconhece que o Governo "está a fazer alguma coisa na área das Finanças Públicas, em particular na despesa pública", apesar "daquele episódio infeliz do aumento de impostos".

Com a procura interna europeia a vacilar (ver texto em baixo) e a produção nacional a perder quotas de mercado, via perdas de competitividade, o comércio externo português também não arranca. Como se não bastasse, o relatório do FMI, destaca que a procura interna nos principais parceiros comerciais de Portugal está em fase anémica.

Na Alemanha, o consumo ainda não disparou, e em Espanha - principal importador de produtos portugueses - o Fundo acabou por rever em baixa o crescimento da economia, apesar de se apresentar como a economia mais dinâmica da UE.

A despesa interna, em consumo e investimento, está também a demonstrar valores anémicos. Isto ajuda a explicar o baixo crescimento da economia, gerando um forte crescimento do desemprego.


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