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por
ângela marques
O Partido Nacional Renovador (PNR) acusou ontem o Governo de estar a "abafar" os nomes envolvidos no escândalo da Casa Pia, cedendo ao "lobby gay". Segundo o presidente do partido, José Pinto Coelho, "está a crescer em Portugal um lobby homossexual organizado com uma agenda política concreta". A acusação foi feita durante uma manifestação "contra a adopção de crianças por casais homossexuais, contra a pedofilia e contra o lobby gay", que reuniu cerca de 200 pessoas no alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa.
Depois de, na convocatória para o protesto, o PNR ter acusado o Governo de "estar a preparar terreno para ceder às pressões do lobby gay", o presidente do partido recuperou o caso de pedofilia para acusar o "sistema" de estar a "abafar os nomes envolvidos no escândalo", fazendo com que "os Bibis do sistema paguem por culpas alheias". Acrescentou "A opinião pública está com o PNR, a opinião publicada é que está com a extrema-esquerda, que é levada ao colo e dá guarida a 'maricas'".
José Pinto Coelho não poupou os partidos políticos de direita, acusando "a direitazinha medíocre" de "diabolizar quem defende Portugal e os portugueses". A ideia foi sublinhada pelo secretário-geral do PNR, Humberto Oliveira, que contou ter recebido "telefonemas de pessoas do CDS e da Nova Democracia dizendo que só não apareciam devido ao receio de serem conotados com movimentos de extrema-direita".
Apoiada pelo movimento de extrema-direita Frente Nacional, a manifestação foi promovida como um protesto contra a adopção por casais homossexuais, a pedofilia e o "lobby gay", aproveitando para recolher assinaturas contra o programa de televisão Esquadrão G - que, segundo uma das responsáveis pela iniciativa, Maria Lopes, estimula o "comportamento homossexual". "Não somos contra os homossexuais mas contra o homossexualismo ideológico que impõe comportamentos desviantes à sociedade como se fossem normais", sublinhou José Pinto Coelho.
Entre palavras de ordem como "Homossexual, imoral, nunca nunca em Portugal!", os manifestantes - maioritariamante homens jovens, muitos vestidos de negro e de cabeça rapada, mas também mulheres jovens e crianças - desceram a Rua Castilho e a Avenida António Augusto de Aguiar até ao Marquês de Pombal seguidos por alguns olhares populares.
Entre estes esteve o de Fernando Ferreira, de 46 anos, inspector de alfândega, que aplaudiu a marcha do interior do seu automóvel, estrategicamente estacionado no alto do parque. "A família tem de voltar a ser família", considera. Fernando não ouviu o discurso do presidente do PNR, mas repetiu a sua convicção "Não existe uma família tradicional, isso foi um conceito inventado para justificar as famílias alternativas. Família só há uma, a natural."
Convictos de que "os manifestantes não eram mais de 110", Susana e Inês, de 16 anos, e Alexandre, de 18, descrevem o protesto como um acto "ridículo". Por um motivo "A convocatória era ofensiva, dizia que a manifestação era contra gays, lésbicas e outras anormalidades." Apesar de não fazerem parte de uma associação de defesa dos direitos dos homossexuais, os três colaboraram com a Rede Ex-Aequo na recolha de assinaturas para impedir a concretização do protesto. "Conseguimos mais assinaturas do que pessoas aqui", diz Inês.
Apanhados de surpresa, Maria Lucinda, de 45 anos, e Eduardo Assunção, de 48, assistiram "impressionados" ao desfile. "Isto não faz sentido nenhum, as pessoas assumem-se ou não se assumem, ninguém tem nada a ver com isso", afirma Lucinda. Apesar de ser contra a adopção de crianças por casais homossexuais, a técnica oficial de contas não concorda com "este tipo de protestos".
Já Gustavo Moreira, de 15 anos, membro da Juventude Nacionalista, não podia concordar mais com a manifestação. "É preciso mostrar desagrado por esta perversão de valores, esta aceitação da homossexualidade como um comportamento normal", diz. Para o estudante, a televisão portuguesa é responsável pela promoção de um comportamento que, a par da pedofilia, "é um crime sexual".
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