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Patrícia viegas
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou ontem que está a preparar um "Setembro vermelho", um mês de invasões de terras e manifestações no Brasil, para pressionar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acelerar a prometida reforma agrária.
"Estamos descontentes com os resultados e vamos intensificar as nossas acções a nível nacional", indicou fonte do serviço de imprensa da organização, citada pela AFP. O Executivo de Lula prometeu conceder terras a 115 mil famílias, ainda este ano, mas até agora apenas 40 mil receberam uma parcela de terreno, lamentou a mesma fonte.
O MST juntou-se ainda a outras organizações da sociedade civil n'O Grito dos Excluídos, uma manifestação organizada em simultâneo em duas mil cidades brasileiras para protestar contra a corrupção e exigir uma reforma política, justamente no dia em que o Brasil assinalou 183 anos de independência.
Na cidade de Brasília, a manifestação aconteceu junto à avenida onde decorreram os desfiles militares do feriado nacional, comandados pelo Chefe do Estado. À noite, a televisão e a rádio nacionais iriam transmitir um discurso gravado de Lula da Silva, no qual este procura distanciar-se dos escândalos de corrupção que assolam o país e realçar avanços no campo económico, como os resultados das exportações.
Lula apresenta-se num tom optimista, segundo o jornal Folha de São Paulo online e a revista Veja online, para dizer que as principais descobertas sobre corrupção resultaram de acções do Governo e, ainda, argumentar que fez a sua parte ao pedir investigações rápidas logo que surgiram as denúncias. O Chefe do Estado deve repetir que não permitirá que o papel da oposição no agravamento da crise, tendo em vista as eleições presidenciais de 2006, prejudique a economia.
O Brasil enfrenta uma das mais graves crises políticas dos últimos anos desde Junho, altura em que veio a público o "mensalão", um esquema de compra de votos dos parlamentares com dinheiro proveniente do "saco azul" do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula. O escândalo resultou em inquéritos no Congresso por duas Comissões Parlamentares de Inquérito, que pediram a cassação do mandato de 18 deputados, mas também em investigações da Polícia Federal.
Nos últimos dias, outro escândalo de corrupção envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, considerado um aliado de Lula, veio agravar a crise política no Brasil. Após a denúncia do "mensalinho" - em que Cavalcanti recebeu pagamentos extras do empresário que explorava o restaurante da Câmara para prorrogar ilegalmente o prazo de concessão até 2005 - a oposição reclamou a demissão do deputado progressista de 74 anos. Cavalcanti rejeita as acusações, mas, ontem, a Veja online divulgou um documento que o incrimina e não deixa muita margem para dúvidas. Enquanto o Presidente discursa na TV, o "mundo cai no Congresso", escreveu ontem a colunista Eliane Cantanhêde, na Folha de São Paulo, acrescentando que "Lula vai tentar ficar longe da crise e das denúncias. E falar do lado bom da história a economia". É que "na visão do Planalto, o que vai redefinir a reeleição no ano que vem não são 'mensalões' nem 'mensalinhos', mas o crescimento da economia, dos empregos e dos salários". O discurso de Lula, garante a jornalista, "não é só de Presidente, é também de candidato".
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