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Jardim volta a ameaçar com a independência

por

lília bernardes

funchal  

Se Portugal escolher a porta do "iberismo" a Madeira poderá optar por outra saída. "Recuso-me a ser espanhol. Tenho muita honra em ser português, mas quero avisar [Lisboa] que, se Portugal alinhar nalguma aventura ibérica, nós vamos seguir o nosso caminho porque para isso estamos preparados", disse Alberto João Jardim no comício que marcou a rentrée social-democrata madeirense, sexta-feira à noite, na ilha de Porto Santo.

A velha questão da independência da Madeira, fantasma sazonalmente exumado por Jardim, volta à baila. E, mais uma vez, em período pré-eleitoral. É uma bandeira que o líder madeirense agita como primeiro sinal de que há problemas nas relações com o poder central. O presidente do PSD/M tem uma lista de promessas a cobrar, "compromissos" herdados do tempo de Durão Barroso.

"É uma pouca-vergonha. Não se admite gente desta a governar Portugal", disparou. Já no Chão da Lagoa, na festa anual do partido, Jardim garantira que a "Madeira vai resistir", ideia repetida, mas em versão acrescentada. Ou seja, para que a resistência funcione, "não podem existir quintas colunas", o que em termos de resultados autárquicos significa que o PS não pode conquistar nenhuma das câmaras do arquipélago.

Depois da questão das empresários chineses que tanta celeuma levantou, Jardim volta-se, agora, para o mercado espanhol e para os interesses económicos que pululam de um lado e do outro.

Maçons dominam Sócrates. Por esta e outras razões, o PS esteve na ordem da noite, nomeadamente o líder socialista José Sócrates. De acordo com Jardim, o primeiro-ministro anda a ser "dominado" por "indivíduos" ligados à maçonaria portuguesa que, em sintonia com a sua homóloga espanhola, se preparam para concretizar um sonho antigo, nascido em finais do século XIX, de "anexação de Portugal pela Espanha". Nesta estratégia, avisou Jardim, encontra-se ainda a "mão do grupo de Macau", que também "domina o PS".

Preocupado com o futuro das empresas portuguesas face à concorrência vizinha, Jardim atribui culpas ao Governo, que permite a entrada de produtos que arrasam o tecido empresarial nacional, provocando aumento do desemprego.


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