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c. f.
O exército israelita matou, na quarta-feira à noite, cinco residentes palestinianos do campo de refugiados de Tulkarem, na Cisjordânia. Dois eram adolescentes. Um "crime brutal" que a Jihad Islâmica - de cujas fileiras fazia parte outra das vítimas mortais -, o Hamas e as Brigadas dos Mártires Al-Aqsa juraram vingar e que Telavive define como uma retaliação contra dois ataques, perpetrados em Fevereiro e em Julho, que causaram a morte de dez israelitas e dezenas de feridos.
"Crime brutal" ou retaliação, o certo é que, concluída que foi com sucesso e rapidez assinaláveis a retirada de 21 colonatos na Faixa de Gaza e quatro na Cisjordânia - em apenas seis dias e sem tiros de um lado e de outro - , se receia, a qualquer momento, que o cessar-fogo assinado entre as partes esteja em perigo. Até porque um palestiniano também matou um jovem judeu de origem britânica e feriu outro norte-americano.
De par com o reinicio da violência, assiste-se ao recrudescimento da colonização de territórios palestinianos, com Telavive a confiscar 120 hectares de terra em torno de Maalé Adumin, sob o pretexto de construir uma barreira junto de uma esquadra de polícia e uma estrada, e a não dar mostras de querer desmantelar os chamados "colonatos selvagens", construídos à sua revelia. Apesar de ser isso mesmo que determina o Roteiro de Paz e que foi prometido pelo primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, ao Presidente americano, George W. Bush. Justificação a retirada de Gaza e da Cisjordânia foi um "processo doloroso" e, agora, há que dar uma "pausa", segundo disse o ministro da Defesa, Shaul Mofaz.
Existem 24 "colonatos selvagens" na Cisjordânia erigidos mesmo sem o prévio consentimento das autoridades israelitas, o mesmo não se aplicando, segundo Telavive, à sede da polícia, à estrada que lá conduzirá e à barreira que a murará de pretensos "ataques terroristas". Os três projectos obtiveram, alega-se, "todas as autorizações necessárias e serão brevemente iniciados".
Mas, como lembrava ontem um porta-voz da Casa Branca, o Presidente Bush - o maior aliado externo de Sharon - "declarou, em Maio, que qualquer alteração à linha do armistício de 1949 deve ser aceite pelas duas partes".
Para já, cerca de 700 membros das forças de segurança palestinianas foram enviados, ontem, para o norte da Cisjordânia com o objectivo de garantirem a segurança em torno dos quatro colonatos evacuados (Homesh, Sanur, Ganim e Kadim). Isto apesar de, para todos os efeitos, essa responsabilidade continuar a ser assacada aos israelitas, que por lá ainda mantêm a sua presença militar até à demolição total dos edifícios construídos pelos colonos. Prevê-se que a missão só termine em meados de Setembro, início de Outubro, o mais tardar.
Em compasso de espera, os palestinianos também estão sem saber como irão entrar e sair da Faixa de Gaza, como se fará a ligação entre Gaza e a Cisjordânia, o que acontecerá aos que iam trabalhar para Israel. É, resume o director do Centro Palestiniano para os Direitos Humanos, Raji Surani, "uma situação kafkiana", pois "Gaza ficará, de facto et de jure, cortada da Cisjordânia e do resto do mundo".
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