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Costa dispensou Sócrates

 

António Costa informou ontem os deputados que foi ele quem aconselhou José Sócrates a não interromper as férias no Quénia para vir para Portugal acompanhar o combate aos incêndios. Também a disponibilidade de Jorge Sampaio para intervir sobre esta matéria foi descartada pelo ministro de Estado e Administração Interna.

A ausência do chefe do Governo em férias, durante o pior período de incêndios florestais, foi duramente criticada pelo PSD e CDS, e Costa pegou na deixa para fazer uma afirmação de autoridade "O primeiro-ministro em exercício está aqui", frisou. De seguida, o número dois do Governo contou como dispensou a presença de Sócrates: "O primeiro-ministro telefonou- -me mais de duas vezes, questionando-me sobre se devia voltar ou não. E eu disse-lhe por mais de duas vezes que não devia voltar, que não se justificava que interrompesse as suas férias e que o que era necessário fazer estava a ser feito." E sublinhou a sua responsabilidade na decisão, afirmando: "Se alguém cometeu um erro, fui eu."

Segundo o DN apurou, na semana passada, nos dias em que aconteceram os incêndios de maior gravidade, José Sócrates não ligou do Quénia para António Costa apenas para se disponibilizar a interromper as férias - o primeiro-ministro também chamou a atenção do seu número dois para a necessidade de ir de imediato para o terreno e dar a cara pelo Governo nos cenários dos incêndios. Aos deputados, Costa explicou por que é tão parcimonioso nas suas aparições públicas "Odeio" políticos que correm para a frente das câmaras de televisão a chorar, declarou o ministro.

Montalvão Machado, do PSD, condenou a "passividade" do Executivo e perguntou se está à espera que o seu líder volte de férias para reunir o Conselho de Ministros. "Não confunda sobriedade com passividade", disse Costa. Nuno Melo, do CDS notou a diferença entre a atitude dos dirigentes socialistas e a de todos os outros líderes partidários, que "têm passado as últimas semanas a percorrer o País" e considerou "inadmissível" que o primeiro-ministro continue de férias.

Filipe Santos Costa


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