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por
filipe santos costa
Não é a primeira vez que Manuel Maria Carrilho se queixa da comunicação social. Pelo contrário é longa a história de desentendimentos do socialista com jornalistas e fazedores de opinião, quase tão longa como a lista de entrevistas e reportagens para que se disponibilizou. No Governo ou na oposição, a favor ou contra Guterres, com ou contra Ferro, atacando ou elogiando Alegre, na imprensa de referência ou nas revistas do coração, na qualidade de político, de marido de Bárbara Guimarães ou de pai de Dinis Maria, Carrilho é muitas vezes notícia e nem sempre gosta do que lê.
De tal maneira que, em 1999, quando reuniu em livro algumas intervenções como ministro, escolheu 21 entrevistas que tinham sido publicadas em diversos jornais e todas foram objecto de alterações substanciais perguntas embaraçosas foram cortadas ou modificadas pelo ministro, respostas menos felizes foram reescritas, frases assassinas foram suavizadas, tudo sem que os autores das entrevistas fossem consultados ou avisados. Uma tentativa de reescrever a história que é um case study para Orlando Raimundo, no seu livro A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo. "Um caso de manipulação inimaginável, estonteante", escreve o professor de jornalismo.
Muitos outros casos fizeram correr tinta. Como o casamento de Carrilho com Bárbara, cujos direitos de imagem foram em exclusivo para o Expresso, com o casal a cobrir a entrada da festa com panos pretos e a proibir qualquer outra publicação de incluir imagens do enlace. Mas o exclusivo saiu furado, com a divulgação das fotos na Internet (o mesmo Expresso seria, há dois meses, acusado por Carrilho de manipular uma entrevista). Anos depois, o nascimento do filho Dinis Maria foi anunciado em comunicado à imprensa, mas Carrilho roubou a máquina fotográfica a um repórter que lhes fazia uma espera à porta de casa. O político tentou apagar as fotos (não conseguiu) e só então devolveu a máquina.
A utilização da mulher e do filho na campanha de Lisboa mereceu críticas generalizadas de jornalistas e comentadores. "Perseguição", de gente com "traumas" e "fragilidade mental", respondeu o socialista, que se atirou sobretudo à "vilania" do jornal Público.
Carrilho nunca hesitou em utilizar a imprensa para atacar adversários. Em entrevistas com títulos como "Marcelo é pura gelatina política", mas também em artigos de opinião, como aquele no DN em que desfazia a liderança de Ferro Rodrigues. Mas não perdoou quando António Barreto escreveu uma crónica em que lhe chamava "um homem sem qualidades", "rasca", "suburbano" e "sonso". Queixou-se aos tribunais, mas a justiça acabou por reconhecer a Barreto o direito à opinião. Afinal, disse o tribunal, o colunista foi tão acutilante como Carrilho costuma ser...
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