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por
francisco almeida leite
Manuel Maria Carrilho preferia ver Manuel Alegre e não Mário Soares como candidato presidencial a apoiar pelo PS. Ontem, em declarações ao DN, o candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa (CML) revelou-se preocupado com a provável solução Soares, tendo assumido que, se dependesse de si, apostaria numa candidatura de "risco" Manuel Alegre.
Na opinião de Carrilho, a candidatura de Soares é "um mau sinal do sistema político português". Porque, segundo o ex-ministro da Cultura dos governos de António Guterres, "num sistema semipresidencialista", o PS podia e "devia ter tomado a iniciativa". Manuel Maria Carrilho acrescenta também que chegou a conversar com José Sócrates sobre a possibilidade e até a necessidade de o PS resolver o assunto pelo menos "um ano antes" das eleições presidenciais [Janeiro de 2006]. No fundo, diz ao DN, era possível que o PS "produzisse um candidato" presidencial sem ter de recorrer ao antigo presidente da República. Apesar de não comentar argumentos como o da idade de Soares (que faz 81 no fim deste ano), Carrilho alerta para um factor a exposição mediática a que o ex-presidente irá ficar sujeito. "Os media vão mostrar um candidato em condições físicas muito diferentes do outro candidato", sublinha.
Um raciocínio que é acompanhado por Eduardo Prado Coelho, escolhido por Carrilho para primeiro suplente da lista à CML. "Mário Soares é uma solução que os militantes do PS vêem com muito bons olhos, mas que o cidadão normal nem sequer leva a sério", afirma Prado Coelho ao DN. "Já se viu, é uma repetição, um regresso ao passado", acrescenta.
Para o comentador, Soares "tem tomado posições de esquerda radical, ao passo que Manuel Alegre tem sido muito mais poético e social-democrata em assuntos como a guerra do Iraque". Prado Coelho assume que a idade do ex-presidente é um problema e que preferia ver candidatar-se "alguém mais jovem". Quem? A resposta é pronta "Manuel Alegre", com quem esteve há dias na Foz do Arelho e que, sustenta, ao contrário do que se tem dito e escrito, "não está nada incompatibilizado com o PS."
"Mário Soares é uma falsa boa ideia. Se o PS apoiar essa candidatura, acabarei por o apoiar também, embora pense que não seja bom para ele, nem para a esquerda em geral", assegura Prado Coelho, que culpabiliza Guterres por não ter revelado mais cedo que não seria candidato presidencial.
'trapalhadas' e 'negociatas'. Mas o dia de ontem tinha sido reservado por Manuel Maria Carrilho para lançar uma série de ideias sobre a zona ribeirinha de Lisboa, ao mesmo tempo que apresentava publicamente os rostos da sua equipa de vereadores - na sua quase totalidade ilustres desconhecidos, mas com valias "técnicas", segundo o candidato. Num almoço a bordo de um barco no rio Tejo, Carrilho defendeu "três eixos fundamentais" na relação da cidade com o rio, que passam pela "desafectação de certas áreas do Porto de Lisboa", por uma maior articulação entre esta entidade e a câmara e por uma "reavaliação de muitos projectos" na zona ribeirinha.
O candidato do PS defendeu que "o rio precisa de ser despoluído e tratado", tendo sublinhado que uma das suas prioridades será promover "uma maior aproximação entre as duas margens" e valorizar o percurso pedonal naquela zona. A criação de "um fórum ligado às actividades do rio" e o lançamento de um museu de arte contemporânea à beira-rio onde possa ser integrada a Colecção Joe Berardo - criando um novo módulo no Centro Cultural de Belém ou transformando o museu de arte popular junto ao Espelho d'Água - foram realçados.
O "passeio" fluvial de Carrilho não terminou sem mais uma referência ao caso da oferta de lugares em empresas municipais alegadamente feita por Carmona a elementos da Nova Democracia de Manuel Monteiro. "Das trapalhadas de Santana Lopes passámos às negociatas de Carmona Rodrigues", disse.
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