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Nino e Bacai Sanhá reivindicam vitória nas presidenciais

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Kátia Catulo  

Malam Bacai Sanhá, do PAIGC, e o candidato independente João Bernardo Nino Vieira voltaram a reclamar ontem a vitória na segunda volta das presidenciais de 24 de Julho, na Guiné-Bissau. "Fui eleito e perdoado pelo povo", insistiu Nino Vieira. "O povo votou em mim e percebeu que estão a tentar tirar- -me a vitória", afirmou, por seu turno, Bacai Sanhá.

As declarações de ambos foram feitas ontem à RFI - Rádio France Internationale - enquanto se aguardava a decisão da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de aceitar ou não o pedido feito pelo candidato do PAIGC de considerar nulo o escrutínio nos círculos da capital, de Biombo e de Bafatá. No entanto, prevê-se que só hoje seja conhecida a posição da comissão que avalia a hipótese de repetir o escrutínio nas três circunscrições eleitorais.

De acordo com os resultados provisórios divulgados na última quinta-feira, o candidato independente Nino Vieira obteve 216 167 votos (52,35%) contra os 196 759 de Bacai Sanhá (47,65%). O candidato do PAIGC, porém, contesta os resultados, chegando até a acusar a comissão de eleições de ser "parcial e não democrática". "Se a CNE aceitar analisar correctamente os resultados, a Guiné-Bissau entrará definitivamente na paz e na estabilidade. Mas se considerar os resultados provisórios como definitivos, o país não avançará", adver- tiu.

Para Bacai Sanhá a avaliação das presidenciais feita pelos observadores internacionais "não corresponde à realidade". Isto porque, defendeu, apenas visitaram 400 assembleias de voto entre as 2 500 distribuídas pelo país. "Inspeccionar só 20% das assembleias não coloca os observadores em condições para dizer que tudo decorreu bem. Logo, afirmar que o escrutínio foi justo e transparente não corresponde à verdade", denunciou à RFI, acrescentando que não aceitará o veredicto da CNE porque "é fraudulenta" e não exprime a "vontade do povo". Aliás, concluiu, a manifestação de apoio convocada no domingo, junto à sede do PAIGC, que reuniu alguns milhares de manifestantes, foi uma "prova clara de que o povo da Guiné-Bissau não está de acordo com estes resultados".

A tensão no país, governado pelo PAIGC, aumentou sobretudo após a direcção de campanha de Bacai Sanhá ter afirmado no domingo estar na posse de informações que a levaram a acreditar que se encontra em preparação "um golpe de Estado para efectivar os resultados provisórios", favoráveis a Nino. Desejado Lima da Costa, porta-voz da candidatura do PAIGC, revelou "existirem indícios de que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior poderá vir a ser preso pelas forças fiéis de Nino e de Kumba Ialá, agora coligados".

A acusação levou ontem o Partido da Renovação Social (PRS) a pedir ao presidente cessante, Henrique Rosa, que reconheça a existência de uma "crise profunda" no país e demita "imediatamente" o chefe do Governo. "O primeiro-ministro constitui uma ameaça real de uma guerra fratricida e de loucura entre irmãos, pondo em causa a paz, tranquilidade e entendimento nacional", pode ler-se num documento assinado pelo presidente interino do PRS, Alberto Nambeia.

As denúncias do PAIGC, no entanto, não preocupam Nino, que diz ter visto a sua vitória na última etapa das presidenciais como um indício de que a população está disposto a acreditar na sua governação "Se não tivesse sido perdoado, não teria sido eleito. Se fui eleito, posso considerar que o povo perdoou os erros que possivelmente cometi durante o meu mandato", afirmou em entrevista à RFI.


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