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À espera das novidades do Plano Tecnológico

 

O pouco que se sabe do Plano Tecnológico indica que um dos seus principais objectivos passa por reforçar a capacidade das empresas portuguesas em exportarem produtos de elevado valor acrescentado. No entanto, a generalidade dos gestores e empresários contactadas pelo DN dizem desconhecer ainda o verdadeiro alcance do projecto, que será apresentado pelo Governo em Outubro. Afirmam-se expectantes e optimistas, mas também reservados.

"Não sei muito bem o que é o Plano Tecnológico", começa por dizer José Dionísio, administrador da Primavera Software. Por isso só se atreve a dizer que "todas as medidas que o Governo possa tomar para que as empresas se tornem mais competitivas serão muitos positivas", acrescenta o gestor.

Gonçalo Quadros diz que este plano governamental é sobretudo uma oportunidade "que pode ser aproveitada de forma inteligente". Como? "Utilizando grandes projectos de investimento para desenvolver clusters de competência", diz o presidente da Critical Software. Mas ressalva que, independentemente do contributo que esse programa venha a dar, o mais importante "é que o Governo aposte no ensino e no conhecimento dos nossos estudantes, que são fundamentais num projecto como a Critical Software".

Opinião semelhante tem António Câmara. "Para uma empresa como a YDreams, a formação das pessoas é decisiva para podermos ter uma boa base de recrutamento e aí o Plano Tecnológico pode ajudar", afirma. Mas não só. "Também precisamos de envelopes mobilizadores e casos pontuais de sucesso que possam ter efeitos de arrastamento nas outras companhias", opina o CEO da YDreams.

Carlos Oliveira coloca o assento noutro ponto. "Genericamente, Portugal não é visto como um país tecnológico e é difícil explicar nos mercados internacionais como é que ali estamos", afirma o presidente da MobiComp. "É preciso alterar a imagem de Portugal no exterior e afirmá-lo como um país capaz de exportar tecnologia, porque isso facilita-nos muito o caminho".

Esta ideia é partilhada por Jorge Brás, da Enabler, que destaca as dificuldades sentidas nos primeiros contactos com os clientes internacionais. "Se conseguirmos uma imagem europeia e mundial de Portugal como um país com activos nesta área, isso ajuda a ultrapassar muitas das barreiras iniciais. Nós temos massa cinzenta e competências ao nível de outros países, mas falta-nos uma imagem adequada", sublinha o gestor da Enabler.

Já Gastão Taveira, da Altitude Software, acha que o Plano Tecnológico deve ser canalizado, em primeiro lugar, para modernizar o próprio Estado "É preciso começar por desburocratizar a administração pública e simplificar os processos administrativos, porque tudo isto funciona de forma muito lenta", afirma. O gestor diz mesmo que, quando a Altitude se reestruturou, entre 2001 e 2003, "a empresa só sobreviveu porque a sede estava na Holanda" - caso contrário teria declarado falência e encerrado as portas.


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