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O 'senhor euro' morre aos 70 anos

por

patrícia viegas  

O holandês Willem Frederik Duisenberg, o primeiro presidente do Banco Central Europeu (BCE), foi ontem encontrado sem vida na piscina da sua casa do Sul de França, segundo a BBC online. A AFP acrescenta que se terá afogado na sequência de um problema cardíaco. Wim Duisenberg, o homem que liderou com sucesso a introdução da moeda única nos bolsos de 300 milhões de europeus, tinha 70 anos.

As reacções à morte do antigo ministro das Finanças holandês surgiram de imediato. A Comissão Europeia expressou o seu "profundo pesar" e saudou a "dedicação" que "determinou" a credibilidade de uma instituição como o BCE (que chefiou entre 1998 e 2003). "O seu nome ficará associado à criação do euro na história da construção europeia", declarou, por sua vez, o presidente do Banco Nacional da Bélgica, Guy Quaden. O ministro das Finanças alemão, Hans Eichel, e o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, também lamentaram o sucedido.

No seu país natal, o primeiro- -ministro Jan Peter Balkenende lamentou a perda de "uma personalidade especial que gozava de uma sólida reputação internacional", exprimindo condolências à mulher e aos filhos. Gretta Duisenberg, segundo a rádio holandesa, recusou falar sobre a morte do marido e pediu aos media para respeitarem o seu silêncio. Também o ex-ministro da Justiça, Dries van Angt, exprimiu tristeza pelo súbito desaparecimento do amigo, lembrando que este "parecia cheio de vida".

Fumador inveterado, com um cabelo branco que é a sua imagem marca, Duisenberg nasceu na pequena cidade holandesa de Heerenveen a 9 de Julho de 1935. A opção de estudar economia valeu-lhe uma carreira brilhante quer na Holanda quer fora dela. Após uma passagem pelo Fundo Monetário Internacional, tornou-se ministro das Finanças num dos poucos governos de esquerda da história da Holanda, entre 1973 e 1977.

Mediante os efeitos do primeiro choque petrolífero, adoptou uma política de grande rigor financeiro, criando algum desconforto no seio do Partido Trabalhista. Mas o filho empresário de canalização não tinha por hábito ceder à influência dos seus amigos políticos ou dos seus superiores. Isso mesmo ficou provado no seu braço de ferro com aqueles que queriam o BCE controlado pelo poder político.

Duisenberg era considerado excessivamente liberal, olhado com desconfiança por certos sectores europeus mais à esquerda. Mas, nos anos em que esteve à frente do BCE, o holandês provou que poderia manter o banco fora de interferências políticas, apesar de ter ouvido muitas críticas sobre taxas de juro demasiado elevadas, ou demasiado altas, dependendo dos países de onde vinham os comentários. Além de ter organizado a introdução do euro, Duisenberg comandou a nova moeda, sempre imune às tentativas de interferência, dando-lhe uma enorme credibilidade.

O antigo presidente do BCE casou-se em segundas núpcias com Gretta, em 1987, e respeitou sempre a mulher apoiante da causa palestiniana, que chegou a colocar uma bandeira da Palestina na varanda da sua casa em Amesterdão. Algumas organizações judaicas protestaram e Gretta retirou a bandeira. Mas continuou a denunciar a ocupação israelita. Quando deixou o BCE, em Novembro de 2003, Duisenberg foi nomeado conselheiro do Rabobank e da KLM-Air France.


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