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por
diana mendes
Portugal tem o dobro dos camiões de que necessita nas estradas. Para a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) este é um dos graves problemas do sector, sugerindo que a atribuição de licenças de transporte deve ser congelada temporariamente e que as condições de acesso devem ser revistas.
"Em Portugal, obter uma licença de transportador é muito fácil, não há requisitos mínimos, enquanto que no estrangeiro é frequente ser obrigatório um mínimo de capital social ou dois ou três camiões para abrir actividade", disse à Agência Financeira Rui Moreira de Sá, assessor daquela entidade.
Esta "liberdade", aliada ao crédito barato e à estratégia agressiva das marcas terá sido responsável pelo aumento do número de camiões no País a partir da década de 90. Muitos camionistas "desvincularam-se das empresas em que trabalhavam, compraram um camião e lançaram-se por conta própria no negócio", adiantou o responsável.
A forte crise e a liberalização, aliada a uma forte concorrência por parte dos veículos ligeiros - que não cumprem os mesmos requisitos que os pesados, segundo a Antram - estará a conduzir ao encerramento de empresas do sector.
O aumento do preço do gasóleo, não acompanhado pelos preços dos fretes é outra razão para o descontentamento, já que as empresas estão a trabalhar abaixo dos custos, frisou a Antram. A tomada de algumas das medidas sugeridas pelos empresários iria reduzir os custos, mas os transportadores de mercadorias apelam ainda à subida de 15% dos preços.
A manifestação marcada para hoje tem o objectivo de chamar a atenção do Governo para alguns problemas que não têm tido resposta, sobretudo desde "que se interromperam as reuniões dos grupos de trabalho", disse Abel Marques, secretário-geral da Antram. Na sua opinião, "o sistema rodoviário foi aniquilado em detrimento do ferroviário e da aviação. No entanto, pagamos milhões de euros em impostos para melhorar o sector".
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