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f.s.c.
Diogo Freitas do Amaral considera que houve falhas na forma com o Governo apresentou e explicou aos portugueses as medidas de austeridade para equilibrar as contas públicas. Na opinião do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o Executivo não foi tão persuasivo como podia ter sido na defesa das suas políticas.
"As medidas eram tão difíceis, demoraram tantas horas de trabalho e de ponderação a definir e a aprovar, que todos nós, a começar por mim, descuidámos a frente externa, a frente da explicação ao País das medidas tomadas. Mas isso certamente se vai intensificar", afirma o número três da hierarquia governamental, numa entrevista ao DN que será publicada na edição de amanhã.
Depois de citar o filósofo grego Xenofonte para sustentar que "hoje o poder político não se traduz apenas pela capacidade de mando, mas também pela capacidade de persuasão", Freitas considera que o Executivo "tem tido bastante, mas porventura seria necessário mais". E assume que "se alguma deficiência se pode apontar" a José Sócrates e à sua equipa, "é de não se ter explicado suficientemente a inevitabilidade da subida dos impostos."
Na opinião de Freitas do Amaral, nos próximos tempos os socialistas têm pela frente "um combate pela adesão do povo português às medidas" de redução do défice, impondo-se que cada um faça "o que lhe compete" "Os sindicatos e a oposição criticam - estão no seu direito. O Governo e o partido que o apoia têm que defender e explicar as medidas do Governo - esse é o seu dever. Se cada um fizer o que lhe compete, estou convencido que a maioria dos portugueses manterá a confiança no Governo e no primeiro-ministro."
O erro dos impostos. Embora se afirme solidário com a decisão de aumentar o IVA e o imposto automóvel, Freitas do Amaral critica a promessa eleitoral de José Sócrates de não aumentar impostos. Para o ministro, durante a campanha eleitoral "não devia, pura e simplesmente, haver declarações sobre matéria de impostos". E acrescenta "É como se, no tempo das desvalorizações das moedas, houvesse em campanha eleitoral a promessa de desvalorizar ou não desvalorizar a moeda. Não se pode."
Nesta entrevista ao DN, Freitas do Amaral fala também da polémica sobre o candidato da esquerda às eleições presidenciais e da sua posição sobre a despenalização do aborto. No plano internacional, o ministro comenta, entre outros assuntos, a situação no Iraque e a cooperação com Angola, onde está hoje e amanhã.
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