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Bancos "esquecem" aplicações socialmente responsáveis

por

npaula cordeiro  

Os bancos portugueses e estrangeiros a operar em Portugal, na sua grande maioria, não disponibilizam investimentos socialmente responsáveis (ISR). No ano passado, só existiam no nosso mercado cinco fundos de investimento cujas aplicações eram feitas em empresas que cumpriam os requisitos deste tipo de gestão, que se preocupam não só com a maximização do lucro mas que atendem à forma como este é atingido, nomeadamente os impactos ambientais e sociais.

Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado por Paulo Saraiva, investigador universitário na temática dos ISR, sustentabilidade na banca e responsabilidade social das empresas.

"Quase 73% das instituições financeiras que responderam ao inquérito não disponibilizam ISR, com 81% a justificar esta opção com a inexistência de procura", disse ao DN Paulo Saraiva. Este investigador concluiu ainda que apenas duas das 96 instituições financeiras inquiridas providenciaram uma definição clara do que são ISR, enquanto 23,1% não sabiam como disponibilizá-los.

"A importância desta ferramenta de gestão é de tal forma importante que muitas empresas utilizam-na para publicitar a sua imagem", salienta Paulo Saraiva. E aponta para os vários casos que vão surgindo na comunicação social mundial de empresas que desrespeitam as regras da responsabilidade e sustentabilidade social (por exemplo, a exploração de trabalho infantil, violação de regras ambientais, entre outros) e para o 'efeito dominó' que estas notícias desencadeiam nas instituições que fazem aplicações financeiras nestas empresas. "A responsabilidade social é um instrumento de médio e longo prazo", acrescenta, relembrando que muitas más decisões tomadas sobre esta matéria acabam por ter consequências anos mais tarde.

Este investigador refere mesmo que alguns bancos estrangeiros a operar em Portugal oferecem produtos financeiros socialmente responsáveis nos seus países, mas não o fazem no nosso mercado. "Sabem da sua importância, mas consideram que a procura destes produtos em Portugal é inexistente", explica.


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