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por
martim silva
O ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes decidiu escrever aos deputados a queixar-se da devassa da sua vida privada feita por certa comunicação social e a solicitar que sejam mudadas as leis em Portugal, de forma a proteger as vítimas dos "paparazzi". "Verifico que em restaurantes, na praia, em parques de estacionamento e até nos corredores do hospital onde fui operado recentemente, sou exposto - juntamente com as pessoas que me acompanham - como se houvesse direito ao interesse do público sobre a minha vida privada", refere Pedro Santana Lopes na carta endereçada ao presidente da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, o socialista Osvaldo Castro.
Na carta, datada de 21 de Junho, assinada pelo punho de Santana e em que este se identifica como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o social-democrata começa por explicar ao que vem. "Dirijo-me a V. Excelência para lhe falar da falta de respeito de um certo tipo de comunicação social pela vida privada de cidadãos a quem as funções políticas ou profissionais trouxeram evidência pública-"
Sem nomear, Santana Lopes parece, com toda a certeza, falar da chamada imprensa cor-de-rosa. Lembra que desde que saiu do Governo e regressou à câmara optou "pelo afastamento de iniciativas públicas, dentro do possível" e que agora procura "viver o dia-a-dia com a liberdade e intimidade que assiste a qualquer cidadão. É uma escolha que deve ser respeitada." Sem sucesso, como lamenta.
O próprio Santana lembra e reconhece, no entanto, que "durante alguns anos tive responsabilidade na exposição da minha vida privada", mas salienta que "há anos" que não fala do assunto.
Daí parte o ainda autarca da capital para lembrar que recentemente em Espanha se legislou para "evitar a devassa permanente da privacidade das chamadas figuras públicas". Transpondo para Portugal, sugere aos deputados o caminho que a lei deve tomar "Toda a exposição pública da vida privada de cada cidadão deve carecer de uma autorização expressa do visado."
Osvaldo Castro respondeu-lhe directamente, reconhecendo que "há em algumas circunstâncias por parte de alguma comunicação social violação da reserva da vida privada dos cidadãos".
A missiva foi distribuída aos parlamentares a 29 de Junho. Mas ninguém deu o passo em frente para propor o que Santana sugere.
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