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por
luísa botinas
paula sá
Gostaria de ter continuado na presidência da Câmara de Lisboa?
Gosto muito do que tenho feito. Vim para estas funções pela mão do dr. Santana Lopes. Começámos aqui um projecto histórico. Tivemos uma vitória, e marcámos um ponto de viragem em muitas políticas que hoje já estão a dar os seus sinais. Mas é claro houve vicissitudes que marcaram o mandato. Eu fui chamado a funções governativas e voltei. Enfim, o nosso projecto não se esgota num mandato de quatro anos. Depois o dr. Santana pediu-me para assumir as funções de presidente quando ele foi chamado a exercer as de primeiro-ministro. Ser presidente e ser vice- -presidente é um bocado diferente. Tem outras responsabilidades, outra visibilidade e importância junto dos cidadãos, dos trabalhadores, da sociedade civil, da vida da cidade. Empenhei-me e isso deu frutos e algum reconhecimento e visibilidade que não tinha. Acho que não me saí mal. Foi muito gratificante.
Não acha que com as chamadas para estes e outros cargos lhe defraudraram as expectativas?
Sou uma pessoa independente. Venho de uma vida diferente desta. Tenho a consciência que estes cargos são políticos. E portanto sempre tentei fazer o meu melhor em todos as funções que desempenhei. Foram as circunstâncias que determinaram as entradas e saídas. Obviamente, não fui obrigado a ir para o Governo, depois, a voltar para presidente da câmara. Nem fui obrigado a ficar na câmara com o dr. Santana. Bom, pode dizer-se que não é frequente todos estes desenvolvimentos numa câmara municipal. Não é. Quando as pessoas me perguntam se gosto mais destas funções de autarca ou de titular de uma pasta no Governo, digo que gosto mais da primeira. Eu hoje acho que me casei com estas funções.
Houve muitas pessoas, nomeadamente de dentro da câmara, que ficaram desapontadas com o regresso de Santana ao município e achavam que devia ter tomado outra atitude.
Na altura houve muitas pessoas que de uma forma emotiva fizeram essa reflexão. Eu nunca me senti usado porque sempre preservei o meu estatuto de independente. Estou nas coisas quando quero e enquanto quero. Prezo os princípios de empenho , de entrega tal como o da lealdade e de amizade. Se bem que, na altura, o dr. Santana Lopes e eu trocámos impressões. Ele não se decidiu logo e eu próprio fiz-lhe ver que as circunstâncias do seu regresso não seriam as mais favoráveis. Disse-lhe isso com amizade. Mas ele ponderou e decidiu de acordo com a sua consciência.
Parece ter uma ideia consistente da gestão da cidade de Lisboa, o que pressupõe a sua disponibilidade para se candidatar à presidência?
Se serei ou não candidato, não sei. Sou um homem de palavra. Estarei disponível.
Mas está apenas disponível ou considera que é potencial candidato do PSD à CML?
Na altura em que o PSD escolher o candidato à Câmara de Lisboa, por certo escolherá o que estiver mais bem colocado para disputar as eleições. Neste momento, de acordo com as sondagens estou em melhores condições de ser o candidato.
Santana deu-lhe alguma garantia que não se vai recandidatar?
Não.
Se ele se candidatar, coloca-o numa posição delicada.
A ver vamos. É cedo ainda para colocar as coisas nesses termos. O próprio dr. Santana Lopes disse que agora deverá passar primeiro o congresso do PSD e esse assunto será analisado nas próximas semanas.
Se não for candidato as suas expectativas saem defraudadas.
É!... Mas, se for eu o candidato também tenho que ver em que condições é que vou. Temos que ver quais são os apoios que posso suscitar. Mantenho sempre o meu estatuto de independente. Estou tranquilo à espera que o PSD, partido pelo qual fui eleito, explique a sua estratégia autárquica.
Já falou com alguns dos candidatos à liderança?
Falei com o dr. Marques Mendes, por quem tenho apreço e de quem fui colega de Governo. Mas por outras razões. É uma questão que só se colocará depois do congresso.
Sendo amigo do dr. Santana Lopes, não seria suposto que ele já lhe tivesse dito qualquer coisa sobre esta matéria, nesta altura?
Sim. Mas não estamos fora do tempo. Eu compreendo as razões dele. Estando ele como presidente do partido tem que aguardar o desenlace do congresso.
Mas nenhum dos candidatos à liderança mencionou o nome dele como um bom candidato à CML...
Mas também nunca mencionaram o meu.
Porém, deixaram entender que o que estivesse bem colocado nas sondagens, como é o seu caso, poderia entrar na corrida.Tem alguma preferência pelos candidatos à liderança do PSD?
Não. Neste aspecto resguardo-me no meu estatuto de independente. Claro que com o dr. Marques Mendes, de quem fui colega de Governo, tenho uma maior proximidade e identidade do estilo.
Acha que a acção governativa de Santana favorece ou dificulta uma vitória do PSD em Lisboa.
Acho que não tem muito a ver. Estou convencido que a natureza das autárquicas é diferente das legislativas. O enquadramento das últimas eleições também foi atípico, ao contrário das autárquicas que representam o fim de um ciclo.
Mas conhecendo-se a situação entre a esquerda e a direita em Lisboa não é fácil aferir quem ganha.
Acho cada vez mais que as pessoas, e falo agora como cidadão, estão saturadas de grandes figuras políticas para este género de cargos. Precisam de ver alguém com quem se identifiquem e que faça menos show-off, e vejam os problemas resolvidos.
Então, nesse caso, o anunciado candidato do PS vai ser fácil de derrotar. O que acha dele.
Não conheço bem ainda. Parece- -me que não tem muita ligação à cidade de Lisboa nem experiência autárquica, o que não é impeditivo. A avaliar pelo que tem dito, que quer uma cidade cosmopolita, parece-me querer começar a casa pelo telhado.
A coligação que se desenha entre PS, PCP e BE não o assusta?
Não. Vamos ver que entendimentos pré-eleitorais é que ainda vai haver.
Concorda com a limitação dos mandatos autárquicos?
Sim, acho que não devem ser mais do que dois, mas devem passar de 4 para 5 anos cada.
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