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rute araújo
Os jovens vão ser alvo de um programa específico de saúde pública. O documento começa hoje a ser discutido num seminário promovido pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) e tem como objectivo prevenir a doença na faixa etária dos 10 aos 24 anos, o que constitui um hiato na tradicional divisão entre saúde infantil e adulta. Acidentes de viação, tabagismo, consumo de drogas e álcool, saúde reprodutiva e gravidez na adolescência são alguns dos pontos que terão uma abordagem específica.
Segundo um levantamento feito pela DGS que será hoje apresentado, 60% dos centros de saúde (209 em 349) atendem os adolescentes no âmbito normal das consultas de medicina familiar e só 140 os conduzem para serviços especializados - em particular os de saúde infantil e juvenil, saúde reprodutiva e planeamento familiar (dados de 2004).
Se a maioria dos centros de saúde (66%) afirma ter projectos específicos de saúde adolescente e juvenil, apenas 28% soube caracterizá--los "de modo considerado adequado", refere o Relatório sobre Programas e Oferta de Cuidados na Saúde Juvenil, acrescentando que é "um facto que não deixa de merecer realce particular". Com o Programa Nacional para a Saúde dos Jovens, o objectivo é "harmonizar critérios de intervenção".
À cabeça da lista de obstáculos identificados pelos profissionais para a prestação de cuidados a esta faixa etária está o medo da quebra de confidencialidade (62%), seguido do desconhecimento dos jovens do tipo de oferta de serviços (59%) e da pouca disponibilidade temporal dos profissionais (40%).
"As doenças da adolescência são muito poucas. Os jovens têm alguns problemas comuns às crianças e outros dos adultos, mas não são nem crianças nem adultos. Queremos criar um conjunto de requisitos no atendimento para esta faixa e, em relação aos mesmo problemas, mudar as lentes dos óculos", explicou ao DN Vasco Prazeres, especialista em saúde juvenil da DGS. Por isso, a intervenção passa por melhorar a forma de comunicação e intervir ao nível dos comportamentos menos saudáveis. "A oferta de serviços de saúde juvenil tem registado progressos quantitativos, mas queremos avaliar a resposta ao nível da qualidade do atendimento", refere.
O acesso é uma das questões a melhorar. No inquérito feito pela DGS, 47,4% dos centros de saúde consideram que os seus serviços são subutilizados pelos utentes. "Estamos a tentar intervir num grupo etário que, a pouco e pouco, parece estar a ficar mais desfavorecido", exemplifica Vasco Prazeres. Por questões laborais ou porque iniciam a vida académica longe do meio de origem, "os jovens dos 20 aos 24 perdem a cobertura dos serviços", ao mesmo tempo que adquirem novos hábitos que podem desencadear problemas de saúde. Contudo, Vasco Prazeres explica que a ideia não é criar, em todos os centros de saúde, consultas em horários específicos para adolescentes, até porque há locais onde a procura não justifica esses serviços. Por outro lado, explica, a criação de serviços especializados pode, em certos casos, ter um efeito estigmatizante e afastar os utentes.
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