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Kátia Catulo
Todos os meios são válidos para vencer as eleições parlamentares de 31 de Março no Zimbabwe. Este parece ser o lema do Presidente Robert Mugabe que, ontem, foi acusado pelo arcebispo de Bulawayo, Pius Ncube, de deliberadamente deixar morrer à fome os apoiantes da oposição. Trata-se, alegadamente, da última táctica do chefe de Estado zimbabweano para forçar a população a votar na próxima quinta feira no seu partido - União Nacional Africana-Frente Patriótica (Zanu-PF).
De acordo com as declarações do arcebispo à televisão britânica Sky News, os postos alimentares de emergência recusam ajudar aqueles que não apoiam o Governo. Segundo o arcebispo de Bulawayo (a segunda maior cidade do Zimbabwe), os membros do partido Zanu-PF avisaram que todos aqueles que estão do lado do Movimento para a Mudança Democrática (MMD) - o maior partido da oposição - morrerão à fome.
"Eles [Zanu-PF] impediram as organizações não governamentais de ajudar a população. Estamos desesperados", denunciou Pius Ncube, acrescentado que o país está a sofrer "uma perversa forma de coerção".
A denúncia, contudo, não é inédita desde o início do mês, a Human Rights Watch vem alertando para o facto de a ajuda alimentar só chegar aos apoiantes do Zanu-PF. Muitos dos habitantes, esclareceu a organização humanitária, são subornados com comida para participarem nas manifestações pró-governamentais.
O Presidente Robert Mugabe prometeu que as eleições legislativas de 31 de Março seriam "livres e justas" e até aceitou criar uma comissão e um tribunal para fiscalizar o escrutínio.
Porém, segundo os observadores da Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento (SADC), vários apoiantes do MMD foram detidos e torturados pelo partido no poder.
Estas são também as denúncias que fazem parte do relatório da Amnistia Internacional, divulgado na última semana "As violações sistemáticas dos direitos humanos e a vontade deliberada do Governo em não punir quem as comete, significa que os zimbabweanos não poderão participar livremente nas eleições".
O Zanu-PF, por outro lado, nega as acusações e justifica as críticas como uma estratégia desesperada do MMD que, segundo o Governo, tem vindo a perder o apoio da população nos últimos meses.
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