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EUA não desistem de Bobby Fischer

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duarte moral *Os Estados Unidos da América não desistem de "recuperar" Bobby Fischer, o ex-campeão mundial de xadrez, para o julgar por violação ao embargo imposto à ex-Jugoslávia, ao aceitar mais de três milhões de dólares para jogar uma partida com Boris Spassky, no Montenegro, em 1992. Fischer, que passou ontem, em Reiquejavique (Islândia) o seu primeiro dia de liberdade ao fim de quase nove meses de detenção no Japão, é decididamente persona non grata em Washington.  

"Vamos continuar a obter uma solução nesse caso", afirma Adam Ereli, um porta-voz do Departamento de Estado. "Esperávamos que os tribunais japoneses tivessem encontrado uma saída que passasse pela expulsão para os Estados Unidos, lamentamos que isso não tenha acontecido, mas vamos continuar a pressionar", acrescenta.

Entretanto, à chegada ao seu novo país - a Islândia concedeu-lhe esta semana a nacionalidade -, na quinta-feira à noite, Fischer foi recebido por dezenas de pessoas, exibindo cartazes de apoio. Foi nos meios xadrezistas de Reiquejavique que se gerou o movimento de apoio ao ex-campeão do mundo que permitiu esta saída para uma situação diplomaticamente complicada. Os islandeses não esquecem a histórica final do Mundial de 1972, entre ele e Boris Spassky - a mais mediatizada de sempre, transformada numa espécie de confronto entre o Ocidente e o "Império Soviético" -, o evento que colocou Reiquejavique no mapa.

Com o seu ar de eremita, Bobby Fischer, agora com 62 anos, desceu do pequeno jacto (alugado por um canal de televisão), que o fora buscar a Copenhaga (onde chegara de Tóquio), e manteve o silêncio, um tanto estranhamente - ele, que se caracteriza por declarações tremendistas e, muitas vezes, infelizes (como a referência ao 11 de Setembro, dia dos atentados em Nova Iorque e Washington como uma data "maravilhosa"). Mas, antes de sair da capital japonesa tivera ainda tempo para chamar "criminoso" a George W. Bush, o Presidente dos EUA, e de considerar ter estado mais de oito meses "sequestrado" pelas autoridades nipónicas.

Agora em Reiquejavique, acompanhado da sua noiva japonesa (presidente da Federação de Xadrez do Japão), Miyoko Watai, Fischer tem ainda um motivo de preocupação. É que se os EUA pedirem a sua prisão e extradição por evasão fiscal, as autoridades islandesas estão sujeitas a um tratado que vigora entre os dois países nessa matéria. Bobby Fischer está livre, mas não totalmente descansado.

* com agências


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