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isaltina padrão
Um cocktail de substâncias estimulantes está a deixar jovens impotentes. Trata-se de uma mistura explosiva à base de Viagra, ecstasy e Red Bull. O seu consumo fez com que aumentasse o número de rapazes com problemas de disfunção sexual nas consultas de andrologia, nos últimos dois anos. A denúncia é feita ao DN pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia (SPA), Nuno Monteiro Pereira, que assegura que há cada vez mais jovens de 20 anos a chegar às consultas de andrologia com queixas de falta de desejo sexual. O médico diz estar preocupado com as proporções que o fenómeno pode alcançar "Começa-se por perder o desejo sexual, e daí à impotência é só um pequeno passo."
Monteiro Pereira condena este tipo de consumo que considera que só tende a aumentar. Por um lado para se aguentar a "pedalada" das raves, por outro para melhorar a performance sexual. Mas, segundo o especialista, o efeito é precisamente o contrário ao pretendido. "O cocktail resulta seguramente em lesões importantes e irreversíveis no cérebro, ao nível do sistema límbico", explica.
Mais. Isto prova, "o que também é preocupante, que homens sem disfunção eréctil tomam medicamentos para a disfunção eréctil", só pela sensação de "experimentar". Tendo em conta que estamos perante fármacos de receita médica obrigatória, Nuno Monteiro Pereira responsabiliza, nomeadamente, a Internet pelo facto de estes medicamentos estarem à disposição de qualquer pessoa, sem controlo. "Basta ter acesso à Net, fazer a encomenda e esta é enviada pelo correio porque não está nada controlado", justifica, adiantando não poder acreditar que as farmácias cedam este tipo de fármaco sem receita médica.
Opinião bem diferente tem o urologista Carlos Santos que, em declarações ao DN, é peremptório "Eu não tenho a menor dúvida de que as farmácias dispensam estes medicamentos, à semelhança do que fazem com outros, sem apresentação de receita médica. É proibido, mas é uma coisa que se faz até com bastante frequência." Este especialista acredita que tal acontece não só pela curiosidade que existe à volta dos medicamentos para a disfunção eréctil, mas também porque estes não são comparticipados. "Se fossem, as pessoas ainda pensariam duas vezes antes de gastar dinheiro. Assim, como gastam o mesmo, com ou sem receita, arriscam", explica Carlos Santos.
vendas. Desde que o Viagra começou a ser comercializado no mercado português, em Outubro de 1998, as vendas quase que triplicaram (vergráfico). Um número que poderia ser muito superior se, dos 400 a 500 mil portugueses que se estima que sofram de disfunção eréctil, não pedissem só ajuda médica dez a doze mil.
O aparecimento de dois novos medicamentos similares - Cialis e Levitra - contribuiu também para o abrandamento das vendas do Viagra, embora este absorva mais de metade da quota de mercado, em Portugal e no mundo. Para Nuno Monteiro Pereira, trata-se de uma situação natural, uma vez que "já tem provas dadas de eficácia e segurança durante anos". No entanto, o presidente da SPA diz que toda esta nova geração de tratamentos orais é extremamente eficaz e segura. A prová-lo estão as taxas de sucesso global que andam à volta dos 70 a 75 por cento.
Nuno Monteiro Pereira considera estes fármacos uma "verdadeira revolução farmacológica e cultural". Farmacológica porque para provocarem a erecção tem de existir excitação sexual - "o que torna a relação sexual muito mais satisfatória para o homem e para a mulher. É um processo natural." Cultural porque os homens deixaram de encarar a disfunção eréctil com vergonha para passar a vê-la como uma doença comum a muitos outros homens e que quase sempre tem tratamento.
Controlo zero na Internet
As ofertas chegam diariamente por mail, prometendo "entregas anónimas", "pacotes discretos" e poupanças a "80% do preço". Não exigem "consulta médica" nem "receita". Na Internet há todos os tipos de medicamentos à venda e nas prateleiras da frente das "farmácias virtuais" está o Viagra. Depois, há comprimidos para emagrecer, para o colesterol, para a diabetes, dores, depressão e ansiedade. As marcas são conhecidas, mas essa não é garantia nem de qualidade nem de segurança dos comprimidos que chegam a casa dos consumidores.
O comércio online de fármacos é um problema de saúde pública. Os perigos são vários não há vigilância médica nem farmacêutica e nenhuma autoridade controla a composição dos medicamentos que estão à venda (substâncias activas e doses). Ou seja, podem incluir tudo, até drogas ilícitas, ou não incluir nada. Mas, como a maioria das actividades e negócios virtuais,a fiscalização é inexistente. Em Portugal, a lei não permite que os medicamentos sejam vendidos pela Internet e o Infarmed - a autoridade nacional do medicamento - garante que não existem sites registados no País. Já a compra de remédios nos milhares de sites estrangeiros fica entregue à consciência de cada consumidor. O Infarmed refere que a falta de controlo não é uma questão portuguesa e atinge todos os países do mundo. O tema está actualmente em discussão no Conselho da Europa e a forma para o combater passa, em primeira instância, por informar os cidadãos do perigo. Uma campanha de informação será lançada em todos os países comunitários, explicando a forma de evitar os sites duvidosos. O folheto alerta para os sinais suspeitos garantia de "resultados sensacionais e imediatos", "fórmulas secretas e cura milagrosa para todos" ou inclusão de testemunhos pessoais ou de especialistas. Rute Araújo
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