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Uma geração com futuro

 

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gomes

da silva

om as eleições de 20 de Fevereiro fechou-se um ciclo, que se iniciou com a vitória esmagadora do PSD nas eleições autárquicas de Dezembro de 2001, a que se seguiu o Governo de coligação PSD/PP. Começa agora nova fase que só o tempo dirá como terminará. Mas é justo dizer que o fim deste ciclo é unicamente da responsabilidade de Santana Lopes? Como diz Manuel António Pina, " o PS foi buscar ao exército de abstencionistas pouco mais, e o PSD e PP pouco menos de um milhão de votos (1 040 621 votos o PS e 894 022 o PSD e o PP juntos. Ora, conclui, "considerando os respectivos resultados globais, PSD e PP beneficiaram, proporcionalmente, mais do que o PS dos votos dos abstencionistas". Para André Freire, o voto dos portugueses revela necessidade de mudança, não devendo ser interpretado como uma rejeição do líder do PSD. "Para o conjunto do eleitorado os resultados apontam primordialmente para uma rejeição das orientações nas políticas públicas", acrescenta.

Importa analisar objectivamente os resultados eleitorais, como convém relembrar que o PS venceu as eleições autárquicas de 89 e 93 depois de resultados bem inferiores ou similares ao que o PSD agora teve - 1987, 1 262 506 votos, 22,24%, 60 deputados; 1991, 1 670 758 votos, 29,13%, 72 deputados. Alguém se terá, então, interrogado sobre a possibilidade de o PS continuar a ser um partido estruturante do espectro político português?

Na verdade, o PSD conseguiu, agora, manter-se acima das expectativas de alguns analistas, preservando, em termos globais, a relação de proporcionalidade que tinha com o PP, desde 2002, assim expressa 2002 - PSD, 105 deputados; PP, 14 deputados (7,50/1); 1991 - PSD, 75 deputados; PP, 12 deputados (6,25/1). Esse terá sido, porventura, o maior risco corrido, nestas eleições, pelo PSD.

Toda a estratégia, à sua direita, desde o momento da decisão de inviabilização de listas conjuntas até ao apelo ao "voto útil", passando pelo sublinhar constante da competência dos ministros do PP, tinha como objectivo o desequilíbrio dessa mesma correlação de forças. A acrescer ao falhanço desse "grande final" constata-se que a simples existência de listas conjuntas poderia impedir a obtenção da maioria absoluta pelo PS, sem curar dos possíveis efeitos de uma dinâmica eleitoral bem diferente que tal junção proporcionaria.

O PSD resistiu, assim, à direita e à esquerda. Um patamar de 28%, não obstante ser uma derrota, é uma boa base de partida que permitirá ao PSD voltar a liderar, a curto prazo, a vida política portuguesa. As responsabilidades não são nunca de uma só pessoa, resultando de um conjunto de circunstâncias que se conjugam num determinado momento! Por isso os ciclos, na política como na vida, não surgem do nada, resultando da força de alguns protagonistas, mesmo que isso se esbata durante um determinado período de tempo, em função de um resultado menos conseguido. Numa geração, os líderes não se inventam, não se fabricam, não nascem do nada. Existem em função de um percurso, da solidez das suas ideias e consistência dos seus projectos.

Na minha área política há dois grandes protagonistas Santana Lopes e Durão Barroso, nomes incontornáveis da social-democracia. Diferentes no modo de exercer o poder, ambos imprimiram (ao País e ao partido) uma marca própria, assumindo a ruptura com o poder instituído. Aos dois, líderes de uma geração com futuro, poder-se-ão acrescentar outros com capacidade para protagonizar um projecto para Portugal: Marcelo Rebelo de Sousa, António Mexia e Morais Sarmento. Estes nomes pertencem a uma geração com futuro.

Quem afirma que PSL não poderá mais ser incluído neste "grupo", que está "condenado", esquece-se de que o mesmo vaticínio foi lançado a Marcelo Rebelo de Sousa quando abandonou a liderança do PSD ou a Durão Barroso, nos dias após a derrota da coligação governamental nas eleições europeias de Junho de 2004.

Os que "condenam" PSL à "morte política" são os que decretaram o fim da carreira de Guterres, quando desistiu da governação do País, na sequência da desastrosa derrota nas autárquicas de 2001 e hoje o tentam "empurrar" para candidato presidencial da esquerda em 2006. Os que "sentenciam" PSL são os que elogiaram Constâncio quando, em 87, perdeu e elogiaram a atitude de se recandidatar a líder do PS, no congresso seguinte que ganhou de forma esmaga- dora.

Os que tentaram evitar o regresso de PSL ao cargo para que foi eleito em Lisboa são os que acharam normal que Sampaio, derrotado em 91, regressasse à câmara para concluir o mandato. Para o qual foi reeleito e que, na verdade, não completou. Esses que hoje declaram que PSL não se pode recandidatar a líder do PSD são os que consideraram como de grande dignidade democrática a ida a votos, em Congresso, de Sampaio contra Guterres. Esses, que hoje "condenam" PSL a não exercer qualquer cargo político são os que elogiaram a apresentação da candidatura presidencial de Sampaio, em 95.

Não sei se PSL desejará, candidatar-se, de novo, num futuro muito próximo ou relativamente afastado, à liderança do PSD. Não é justo nem possível esquecer o seu contributo à política, à causa pública e aos portugueses. Interrogo-me sobre a pressão de alguns em que se decrete a "morte política" de Santana Lopes! Este faz parte de uma geração com futuro. Com menos de 50 anos e muitas vitórias para serem vividas, poderá ainda enfrentar muitos combates. Santana Lopes é (como Barroso, Marcelo, Mexia e Sarmento) um protagonista incontornável na área do PSD, mesmo que alguns façam tudo para que tal não aconteça. A sua marca e presença, como a dos outros, são um bem de Portugal, um bem que Portugal não se pode dar ao luxo de prescindir.


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