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carla aguiar
Os custos do trabalho em Portugal continuam a crescer acima da média europeia, em particular no sector industrial. De acordo com os dados ontem revelados pelo Eurostat, os custos laborais - que incluem salários, impostos e contribuições sociais - subiram 2,9% em Portugal, contra 2,2% na zona euro e 2,6% no total da União Europeia, no último trimestre de 2004.
O maior crescimento e desfasamento em relação às médias europeias ocorreu na indústria, onde os custos do trabalho para o empregador progrediram 3,4% no mesmo período, contrastando com os 2,7% do total da UE ou os 2,5% da zona euro. Uma variação que compara com uma subida de apenas 1,3% no trimestre anterior e com os 2,2% no mesmo período de 2003. As taxas de crescimento foram, apesar de tudo, mais baixas do que em 2002, quando no final do ano o crescimento dos custos de trabalho na indústria tinha atingido os 5,8%.
O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) considerou, em declarações ao DN, que os custos laborais cresceram mais na indústria devido às maiores taxas de sindicalização neste sector, que acabam por conduzir a salários mais elevados. "Em contrapartida, no comércio e serviços há uma baixa sindicalização e uma enorme oferta de mão-de-obra, nomeadamente de imigrantes, que trava o aumento dos salários", disse Francisco Van Zeller.
Segundo aquele dirigente patronal, esta subida estará ainda relacionada com a modernização tecnológica na indústria e com a escassez de mão-de-obra espe- cializada, o que obriga a pagar melhor aos trabalhadores especializados. Este processo - prossegue - traduz o início da transição de uma economia baseada na mão-de-obra pouco qualificada para uma mais especializada. "É um processo que já aconteceu noutros países, é positivo, mas tem como contraponto o aumento do desemprego." Para não perderem competitividade, "as empresas emagrecem para compensar os custos salariais e o desemprego aumenta", explica. "É nesse sentido que Daniel Bessa diz que, se tudo correr bem, o desemprego vai subir."
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