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Lisboa tem 34 mil pessoas idosas completamente sós

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Vão longe os tempos da Lisboa gaiata da canção, na avenida. Depois de décadas de êxodo dos jovens e da invasão de escritórios e serviços, a capital tem hoje um quarto da sua população envelhecida - 133 304 pessoas com mais de 65 anos, em 2001. Desses idosos, quase 34 mil, cerca de 25 por cento, vivem completamente sós. Esta realidade tende a agravar-se no futuro e vai exigir novas respostas da comunidade, já que esta é uma população potencialmente frágil e dependente. A Santa Casa da Misericórdia quer preparar-se para isso e já tem metas até 2007.

Nas últimas duas décadas a população da capital envelheceu a ritmo acelerado, só comparável ao de algumas cidades europeias, em França e Itália, que batem todos os recordes de níveis de população com mais de 75 anos.

Dados de Junho do ano passado do Eurostat (o organismo europeu que faz os estudos estatísticos na UE) mostram que Lisboa, no conjunto de 258 cidades europeias estudadas, está no top 10 das que têm maior número de idosos com mais de 75 anos - os que são designados por grandes idosos. Neste ranking elaborado peloEurostat, Lisboa ocupa a nona posição na percentagem de grandes idosos (10,3 por cento, ou seja, 58 191 pessoas) apenas atrás de sete cidades italianas, como Bolonha, Florença ou Veneza, e de Nice (França), sendo logo seguida por Barcelona, que tem 10,2% de residentes com mais de 75 anos e ocupa o décimo lugar nesta lista.

Chegar em tão pouco tempo a esse grupo cimeiro significa também que o ritmo de envelhecimento foi superior ao da maioria das zonas urbanas europeias.

Um estudo sobre o envelhecimento populacional, realizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 2004, com base nos Censos do Instituto Nacional de Estatística (INE), indica que entre 1991 e 2001 o número de idosos cresceu em Lisboa sete por cento. Uma tendência a que também não foi alheio o despovoamento imparável que na mesma década afectou a cidade.

Entre 1991 e 2001, Lisboa perdeu perto de cem mil habitantes. Os jovens foram-se instalando nos su-búrbios da capital, que sofreram uma expansão muito rápida, e os que ficaram envelheceram.

É por isso que hoje quase um quarto da população lisboeta tem mais de 65 anos e que, desse grupo, outro quarto vive só o número esmagador de 33 770 (dados de 2001).

"É um número elevado, que nos surpreendeu", admite José Cunha, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e um dos autores dos estudos realizados no ano passado, cujo objectivo era conhecer a realidade, para preparar novas respostas destinadas a apoiar esta população (ver caixa na página ao lado).

A surpresa, confessa José Cunha, tem a ver com a ideia tradicionalmente difundida de que, entre nós, os núcleos familiares são coesos e constituem o principal suporte das pessoas desta faixa etária.

Talvez não seja completamente assim, afinal, mas é necessário ressalvar também que muitas destas pessoas não têm filhos. Por exemplo, metade dos 1500 idosos que em Lisboa recebem actualmente apoio domiciliário da Misericórdia (higiene pessoal, refeições, etc.) não tem filhos. Daí, também, a necessidade deste tipo de apoio quando perdem a sua autonomia. Dados de 2001 mostram, por exemplo, que 14 por cento dos idosos lisboetas têm uma deficiência. Muitos precisarão, provavelmente, de ajuda.


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