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por
márcio alves candoso
DN-Pedro Saraiva
Que balanço é que faz do seu mandato à frente da Galp?
Foi um percurso bem mais complexo do que o que eu estava à espera. Por virtude da reestruturação do sector energético, isto não foi como navegar em águas calmas. O 'alvo' da reestruturação era a Galp. Tivemos incertezas em cada esquina. Apesar disso tenho que elogiar a administração e os trabalhadores por terem superado tudo isso e ainda terem feito um magnífico trabalho.
Quais foram esses aspectos negativos de que fala?
Há quase três anos que a Galp estava nisto dividir-se, partir-se, cortar-se, colar-se... obviamente isto criou uma incerteza muito grande. Tínhamos grandes projectos que só se podem levar a cabo com o acordo dos principais accionistas. De modo que esta reestruturação apareceu como uma do- ença.
E os problemas com os italianos da ENI?
São de natureza diferente. Contrariamente ao que se diz, vivemos sempre muito bem, ao nível da administração, com a ENI. Mostraram-se sempre empenhados na empresa. Houve uma divergência grave, que foi a interpretação do acordo para a expansão ibérica. Mas o acordo era ambíguo e eu não diminuo o valor da interpretação deles. Felizmente tudo acabou sem necessidade de haver uma zanga.
Se a ENI pudesse ter tido a maioria do capital da Galp, isso seria um problema?
Seria uma questão entre accionistas a que a administração da empresa tem que ficar alheia. Mas eu acho que a ENI sabe que uma boa parte do valor da Galp é o facto de as pessoas a reconhecerem como uma empresa portuguesa.
É uma marca afirmada...
A Galp é a marca portuguesa. Está inscrita nos nossos activos como valendo 500 milhões de euros. É de longe a marca nacional mais conhecida.
Como é que chegaram aos resultados actuais - os melhores de sempre da empresa -com todos os problemas que enfrentou?
Esta empresa sofreu uma revolução. Há cinco anos vivia sentada em cima da sua quota de mercado, que era quase administrativa. Abandonou essa filosofia de vida. Tanto é assim que agora gostamos da concorrência, não sabemos viver sem ela.
Mas foi empurrada para essa concorrência?
Quando a concorrência passou a ser óbvia, não tivemos que ser empurrados. Começámos a perceber que se não olhássemos para o cliente ele ia comprar no vizinho do lado. Devo dizer que os nossos rácios são hoje melhores que os da maior parte da concorrência.
É também por isso que diz que a empresa está preparada para a dispersão de capital em bolsa (IPO)?
Entendo que está completamente preparada. A única condição que falta é assegurar a estabilidade accionista, já que o mercado não responde sem isso estar definido. Esta empresa em Bolsa, com o historial que tem, com os projectos em carteira, com a simpatia de que aufere junto do público, seria um êxito.
Voltando um pouco atrás não podendo já aspirar à quota nacional que teve no passado, valia a pena crescer rapidamente em Espanha, e o facto de não ter comprado a rede Shell foi um fracasso...
Nós sabíamos que íamos descer até aos 35%, o que é uma belíssima quota. Espantosamente até recuperámos um pouco, estamos em torno dos 38%. O nosso rácio de venda de litros de combustível por posto está acima da concorrência. Em Espanha, no ano passado crescemos 44%
Mas podia ter crescido mais com os postos da Shell.
É evidente. Mas nós perdemos, não pelo preço (tínhamos capacidade para ir acima da proposta vencedora), mas porque o negócio começou a aparecer nos jornais, com um consórcio que ainda nem sequer era accionista a opor-se.
A Petrocer?
Sim. A partir daí acabou, porque a Shell não vendia num negócio contestado. É extraordinário que quem não tinha sequer responsabilidades como sócio tenha prejudicado tão fortemente esta em- presa.
É possível crescer em Espanha sem a concretização deste negócio?
É. E não só organicamente, continuamos atentos a outras oportunidades de negócio.
Há também a hipótese de ir para a distribuição no Brasil.
Sim, em parceria com a Petrobras. Não sabemos ainda como, embora seja mais fácil adquirindo rede.
No Brasil têm a vossa primeira experiência de exploração petrolífera directa.
É verdade, já que a participação em Angola é financeira, não temos técnicos, podíamos ser um banco que não seria muito diferente.
E noutras paragens?
Estamos a estudar projectos em várias partes do Mundo. Em São Tomé toda a gente sabe que estamos interessados.
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