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"Para estar num projecto destes, temos que nos portar como se fosse para sempre." É assim que Joaquim Ferreira do Amaral diz encarar a sua provável substituição à frente da Galp. O seu mandato, que terminou em 31 de Dezembro, pode prolongar-se por mais três anos, se essa for a vontade dos accionistas, ou apenas por mais alguns meses, ou seja, o tempo que ainda vai demorar a arrumar a casa. A confissão - antiga - de sedução pelo serviço público e pela política poderá levá-lo, no entanto, a um maior empenho na vida do seu partido, o PSD. "Mas se continuar aqui vou ter que pedir autorização aos accionistas, já que para mim é incompatível ter cargos políticos e exercer estas funções", diz. Problema de consciência que não vai ter - mas que chegou a pôr como hipótese - é o deixar a Galp pior do que estava quando lá entrou. "Nunca me tinha acontecido, mas com a história da reestruturação cheguei a temer isso", confessa. Hoje está bastante convicto de que "essa ideia típica de economia planificada de fazer uma reestruturação a régua e esquadro está posta de parte". E avisa "Uma empresa que acha que ganha alguma coisa com uma reestruturação feita nos gabinetes governamentais está enfraquecida à partida."
O recado vai directo para a EDP, à qual agora a Galp vai poder fazer concorrência também no sector eléctrico, após lhe ter sido concessionado um ponto de interligação de ciclo combinado. "Desfez-se a ideia de que para aumentar a concorrência no mercado eléctrico era preciso contar com os estrangeiros", reflecte.
Na semana em que a Galp bateu o recorde de resultados líquidos, Ferreira do Amaral parece estar à vontade para 'avaliar' a empresa "Vale seguramente mais do que 3500 milhões de euros e talvez mais que 4000 milhões."
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