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Menezes quer directas já e faz desafio a Mendes

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nuno simas  

A sala da sede nacional do PSD, em Lisboa, era grande mas faltaram os "notáveis". Porque Luís Filipe Menezes não os quis ontem a seu lado. "O que me interessa são as bases." "A partir de domingo" é que o candidato, o segundo a apresentar-se na corrida à sucessão de Pedro Santana Lopes, começará a divulgar nomes... E até ironizou com a falta de ministros na cerimónia de apresentação da candidatura de Marques Mendes, 24 horas antes.

De "notáveis" estavam Marco António Costa, líder da distrital do Porto do PSD, mas "a título pessoal", José Guilherme Aguiar, autarca social-democrata e ex-dirigente desportivo, e ainda Nuno da Câmara Pereira, do PPM, eleito deputado nas listas nas eleições de domingo. Luís Filipe Menezes apresentou-se e, desde logo, abriu uma frente de "combate" a exigência de eleições directas para o líder e já, para o congresso que está previsto para Abril.

Mais uma vez, deixou clara a sua preferência por Marcelo Rebelo de Sousa como candidato presidencial... em vez de Cavaco Silva. E fez um desafio ao seu amigo, agora adversário, Marques Mendes que se candidate a uma câmara nas autárquicas de Outubro. Se for eleito, Menezes já disse que se recandidata ao município de Gaia.

A conferência de imprensa de Luís Filipe Menezes começou com as suas justificações - se Santana Lopes não tivesse optado por sair, ele não avançava. O autarca e candidato prefere poupar Santana e diz que "culpados somos todos os que militamos no partido". Além disso, quer um PSD interclassista, fiel à sua "matriz social-democrata".

Avance-se agora para a estratégia. Luís Filipe Menezes é mais ambicioso que Marques Mendes e quer ganhar as autárquicas deste ano e aumentar o número de câmaras laranja. E espera que o seu adversário, a exemplo dele, se candidate a uma câmara. Nas eleições de carácter nacional, a opção é o PSD concorrer sozinho "até 2009". Romper o acordo pré-eleitoral assinado por Santana Lopes e Paulo Portas é algo de natural - "é como pedir o divórcio depois de estar viúvo".

Nas presidenciais, o caso é claro, segundo Menezes, porque "o País sabe o que penso". A sua preferência é o ex-líder Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de nomear outros nomes como Pinto Balsemão, Miguel Cadilhe e... Cavaco Silva. Aliás, o antigo primeiro-ministro é, segundo Menezes, uma "memória viva", foi "o melhor primeiro-ministro" desde o 25 de Abril de 1974. "Estamos no século XXI, temos é que olhar para o futuro", afirmou.

As presidenciais são um tema central do próximo congresso e o candidato quer é mesmo ouvir a opinião dos militantes do partido. Para depois a presidência do partido assumir uma posição. O presidente da Câmara de Gaia concorda que as presidenciais são eleições suprapartidárias mas diz que o partido deve ter um papel activo nessa escolha. E por isso lembrou o convite feito por Sá Carneiro a Soares Carneiro para concorrer a Belém, em 1980.

Por último, as eleições directas. Filipe Menezes faz finca-pé, assumindo aí uma herança de Santana Lopes, que sempre quis as directas. "Sei que há quem não queira...", desabafa, mas o candidato quer que esse método seja adoptado já. Mesmo que a reunião magna laranja seja adiada. Aliás, sobre o congresso, Menezes apontou a data do congresso para 22 a 24 de Abril, mas a secretaria-geral do PSD apressou- -se a desmenti-lo... Afinal, as duas datas possíveis são os dois primeiros fins-de-semana do mês.


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