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Luís delgado
Pode ser um texto emocional, raro no meu estilo, mas quero, publicamente, que não existam dúvidas sou amigo de Pedro Santana Lopes, e serei sempre, em qualquer circunstância da sua vida pessoal, política ou profissional. Ele, como não podia deixar de ser, vai abandonar a liderança do PSD, e fá-lo no momento certo, com a cabeça fria, e após a necessária reflexão pessoal, única, e em isolamento absoluto. Pedro, digam o que disserem dele, e dos quatro meses que governou Portugal, fez o melhor que sabia e podia, e ao fazê-lo sabia que corria o enorme risco, quase impossível de ultrapassar, como se viu, de inverter uma situação de profundo desgaste e desilusão do eleitorado, com o PSD e PP, pelos anos de governação anteriores. Eu sei que ele ponderou seriamente não aceitar a substituição sem eleições, mas isso impedia a ida de Durão Barroso para Bruxelas. Sei que por uma ou duas vezes percebeu que o esforço era inglório, e que queria pedir ao PR que convocasse eleições, e isso só enobreceu o seu carácter, capacidade de avaliação correcta da situação política, e um grande espírito de sacrifício. Pedro Santana Lopes, como PM, fez o seu melhor, e como qualquer outro PM, em apenas quatro meses, também cometeu erros, lapsos ou atrapalhações. E sei, finalmente, que teve o que não merecia, por parte do PR, e de uma série de figuras do PSD. Ele, como ninguém, sabia isso tudo, e para tudo estava preparado. Pedro tem 47 anos, e uma vida à frente, e na política, naturalmente. Ele não "morreu" politicamente, por muito que alguns o tenham desejado, mas assumiu a responsabilidade de uma maioria que estava ferida de morte, pela condução política e falta de transparência com o eleitorado, a partir de 2002. Santana limitou-se a apanhar os "cacos", e tentar virar, sem nunca esperar que lhe cortassem as pernas. Agora sai. E sai de cabeça erguida, dignamente, e com a certeza de que qualquer outro PM, nas mesmas circunstâncias, teria sido derrotado de uma forma mais trágica. O PSD não esquece nem atraiçoa. Eu sei que Pedro Santana Lopes regressará, quando o tempo disser.
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