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Portugueses ganham menos 34% que cipriotas

por

cátia almeida  

Já não bastava os portugueses terem os salários mais baixos entre os Quinze, agora até já são ultrapassados por alguns dos novos países membros da União Europeia, como é o caso de Chipre. O salário médio anual líquido nacional fica--se pelos 11 771 euros, abaixo dos 17 766 ganhos pelos cipriotas .

De acordo com um estudo da Deloitte, que analisou 18 países da União Europeia, os portugueses ganham três vezes menos que os luxemburgueses e metade dos finlandeses e dos franceses. De resto, o Luxemburgo é o país com os salários mais elevados, embora em termos brutos sejam os patrões alemães os que mais gastam por cada empregado (49 609 euros).

"A diferença salarial entre Portugal e os restantes Estados membros tem vindo a acentuar-se e a tendência é para que seja cada vez maior", afirmou ao DN o sindicalista da CGTP, Amável Alves. Uma situação causada pela "forte contenção salarial, pelos baixos aumentos que não cobrem a inflação e pelo défice público". A redução das negociações ao nível da contratação colectiva, "de 1,2 milhões trabalhadores, em 2003, para 600 mil em 2004, vieram igualmente agravar este cenário".

"O valor da inflação devia ser não só reposto, como os trabalhadores deviam sentir uma melhoria do seu poder de compra". Além disso, continuou Amável Alves, "a ausência do crescimento dos salários também não dinamiza a economia".

As associações patronais CIP e AEP, contactadas pelo DN, não estiveram disponíveis para comentar estes dados.

Na pior situação da UE, estão os trabalhadores da Eslováquia, com uma remuneração líquida de 3750 euros. Segue-se a Polónia, com 4220 euros. O país com os valores mais próximos de Portugal é Malta (11 771).

Quando comparados os custos de impostos e seguros de empregados, em proporção ao total da remuneração paga, as posições relativas dos países alteram-se. Neste cenário, a Irlanda fica em segundo lugar, atrás de Chipre, o que justifica a classificação da Irlanda como uma jurisdição de impostos baixos para os empregados, justificou a consultora.

Do mesmo modo, quando se comparam os custos da segurança social para o empregador, como percentagem da remuneração, a Irlanda fica na quinta posição, atrás da Dinamarca, Chipre, Malta e Reino Unido.

Em relação aos custos combinados de impostos e de segurança social do empregado e do empregador, face ao custo total do emprego, a Irlanda fica claramente em segundo lugar, atrás de Chipre, com Malta e o Luxemburgo nas posições seguintes.


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