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Uma noite de derrota sem barões nem festa

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nuno simas *  

Muitos não queriam acreditar e fizeram silêncio quando as televisões anunciaram as projecções que davam a maioria absoluta. Alguém soltou um "O quê? Não pode ser, não é possível..." Ao telemóvel, um militante comentava "Parece que sim, parece que isto é verdadeiramente assustador..." Na sala dos convidados do PSD, num hotel de Lisboa, a noite eleitoral começou sorumbática, depressiva, mesmo. Mas havia pormenores a desanuviar o ambiente. Por exemplo, um repórter de uma revista cor-de-rosa aproveitava a concentração de personalidades, alguns "colunáveis". Especialmente solicitados eram os filhos de Santana, a ex-mulher Isabel Arriaga, o apresentador Pedro Granger, o casal João de Deus Pinheiro... O ex-ministro e actual eurodeputado protagonizou um dos momentos da noite ao comentar, na RTP, minutos antes das 20 horas, a vitória do PS quando nem sequer tinham sido divulgadas as primeiras projecções...

O ambiente estava carregado. De barões nem sinal. Notáveis a apoiar Santana eram poucos. Estavam outros, enfim. Isaltino Morais, Luís Todo-Bom, Amílcar Theias, Nunes Liberato, José Raul dos Santos, Carmona Rodrigues. De ministros, estavam lá Maria João Bustorff, que não foi eleita por Évora, Graça Carvalho, Álvaro Barreto subiu à suite do 21.º andar do Hotel D. Pedro.

Só em cima das 23 horas é que o púlpito da sala de conferências de imprensa foi ocupado por Santana Lopes. Antes, ainda se ensaiaram uns gritos de "Santana, Santana" quando entrou na sala o irmão do líder, Paulo, que, de facto é muito parecido com Pedro. Mas Santana demorou. Maria João Saviotti comentava com uma amiga que "o Pedro" estava na suite "onde ficou o Clinton e o Putin". "Aquilo está fantástico."

Eram 21.00 e Nuno da Câmara Pereira, candidato do PPM, dizia ao DN que o acordo com o PSD é para continuar - "é nos momentos difíceis que se sabe quem são os amigos" -, mas admitiu que a Santana "não lhe resta outra possibilidade senão demitir-se", afirmou.

No fim, e apesar de Santana ter um dos piores resultados do PSD dos últimos 20 anos, o ambiente começou a desanuviar e gritaram-se os slogans como se se estivesse num comício de campanha. Como "Santana vai em frente, tens aqui a tua gente". A demissão em directo do líder do CDS, Paulo Portas, foi ouvida em silêncio e os militantes, no final, até bateram palmas. Einhart da Paz, o publicitário da campanha, acompanhou a noite eleitoral, algo cabisbaixo, no rés-do-chão do hotel.

* Com Filipe Santos Costa


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