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por
manuel lopes
correspondente em madrid
Os espanhóis ratificaram ontem, em referendo popular, a nova Constituição europeia, com 76,4 % de votos favoráveis; 17,29% negativos; e 6% em branco. A participação foi de 42,43%, ainda assim superior à esperada, pelo que não se confirmaram os presságios de uma elevada abstenção.
O resultado representa um triunfo político para o Governo socialista, que se tinha empenhado fortemente na campanha a favor do "sim". Assim, muitos políticos acabaram por exprimir um certo alívio, porque, no final de contas, apesar de os totais não serem brilhantes, traduzem uma boa nota para José Luis Rodriguez Zapatero e Espanha.
O presidente do Governo tinha sido advertido para o facto de estar a arriscar demasiado sem necessidade - tanto ao convocar o referendo tão apressadamente, como pela pretensão de que os espanhóis fossem "os primeiros na Europa". Mas, persistente como é, Zapatero empenhou-se a fundo neste compromisso, propondo-se fazer o país regressar ao "coração da Europa", como afirmou na Primavera de 2004, depois de romper com os Estados Unidos e de se aproximar da França e da Alemanha. Agora, tinha necessidade de dar visibilidade a este projecto com os resultados da consulta popular e conseguiu-o em grande parte.
Na sua primeira reacção ao resultado do referendo, Zapatero instou os restantes eleitores da União Europeia a seguir "o caminho aberto" ontem em Espanha, enquanto o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou que "os espanhóis disseram 'sim' à Europa, 'sim' ao futuro", enviando "um forte sinal" aos outros países da UE.
O líder da oposição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, apesar de também ter feito campanha pelo "sim", salientou que a taxa de participação - a mais baixa registada num escrutínio em Espanha - não é suficiente para ser entendida como um sucesso do Executivo socialista. Pelo contrário, constituiu um "fracasso", que "não pode servir de modelo a ninguém na Europa". Explicação avançada por Rajoy Zapatero "precipitou-se", ao querer ser o primeiro da Europa a referendar a Constituição, sem cuidar de informar o eleitorado sobre o que estava em causa.
Seja como for, o Governo está satisfeito com este resultado, pois tinha referido como mínimo uma participação de 40% no referendo. Os Populares tinham subido a fasquia para 50% dos 34,6 milhões de eleitores.
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