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Ajorge
coelho
manhã termina a campanha eleitoral.
Porque a próxima semana não é de balanços, mas, antes, o ponto de partida para a afirmação de um novo projecto político, vou aproveitar esta oportunidade para fazer uma avaliação, do meu ponto de vista, sobre o que foram estas duas semanas de campanha.
1. Vai ficar na memória de todos a campanha "negra".
O que se passou provocou um grande repúdio da generalidade das pessoas. Foi uma situação inédita em Portugal. A utilização da imagem dos adversários, a insinuação permanente e a tentativa de tirar partido do rumor são algumas das características que, certamente, irão servir de tema de estudo da primeira campanha fortemente negativa desencadeada em Portugal.
Tenho grandes dúvidas que os resultados deste tipo de mensagem tenham efeitos positivos.
No entanto, aberto este precedente, prevejo que no futuro temos de nos acautelar com situações idênticas.
A campanha "negra" veio para ficar e a imagem dos políticos tende, deste modo, a sofrer mais um factor de degradação.
2. Em função do que foi dito atrás, esta campanha também teve a particularidade de inverter (ou antecipar) os papéis dos dois protagonistas.
José Sócrates assumiu o papel de primeiro-ministro e Santana Lopes de líder da oposição. José Sócrates a falar do futuro e do que pretende fazer, Santana Lopes a tentar denegrir a imagem de quem se apresentou como alternativa.
O líder do PS apresentou-se com uma postura mais segura e responsável.
O líder do PSD foi irregular, porque andou sempre à procura de um "alçapão" que lhe permitisse inverter o valor das sondagens.
Sócrates não "escorregou" e Santana não conseguiu alterar a tendência de voto.
Deste modo, chegámos ao fim da campanha eleitoral como começámos o líder do PS à procura da maioria absoluta. O líder do PSD à procura de uma tábua de salvação.
3. Este último ponto remete para alguma ingenuidade de muitos comentadores sobre o que é uma campanha eleitoral. Ou por ingenuidade ou porque querem assegurar uma grande expectativa, tentam fazer acreditar que tudo se joga numa campanha eleitoral. De facto não é assim.
Parte significativa do eleitorado tem uma decisão tomada sobre o voto muito antes das campanhas eleitorais.
As eleições ganham-se ou perdem-se ao longo de muitos meses, se não mesmo, de uma legislatura. As campanhas servem quase exclusivamente para os indecisos. Quem já tomou uma decisão raramente muda de opinião.
E neste caso, muitos dos que tomaram uma decisão foi quando o Governo de Santana Lopes criou um enorme problema com a colocação dos professores. Foi com a incompetência do ministro das Finanças, que, a uma semana de terminar o ano, andou desesperado à procura de um "cofre" de onde pudesse tirar dinheiro para "fazer figura" no défice. Foram as trapalhadas das posses de ministros e secretários de Estado. Foram as "birrinhas" entre ministros do PSD e do PP e outros membros do Governo a desautorizarem o primeiro-ministro. Foi o desemprego a aumentar e a confiança a diminuir... Santana Lopes foi aqui que perdeu as eleições.
4. É por isso que, antes de mais, estas eleições têm como elemento central a seguinte pergunta os portugueses querem que o actual primeiro-ministro continue a desempenhar o cargo? Os estudos de opinião, nos dois últimos meses, têm dado sempre a mesma resposta.
5. Tendo novamente como base os estudos de opinião, conhecido o derrotado e antecipado o vencedor, a dúvida que se coloca é a dimensão da vitória do PS. Terá maioria absoluta? E, no meu entender, é isto que está em causa no domingo.
Os portugueses consideram que o PS para governar deve ter uma maioria absoluta que garanta estabilidade, determinação e eficácia nas medidas que são necessárias tomar?
Sinceramente gostaria que a resposta fosse sim, mas só no domingo é que vamos saber a resposta.
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