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por
joana de Belém
As polémicas e os incidentes que têm marcado esta campanha eleitoral parecem não agradar aos portugueses. São muitos a admitir que se sentem desmotivados e defraudados e que, também por essa razão, põem a possibilidade de nem sequer exercer o seu direito de voto.
"É uma campanha negra que está a realçar o percurso dos dois maiores partidos, que se dispersam em vez de falarem dos assuntos que realmente interessam às pessoas". César Rodrigues passeia-se com a família pela ribeira de Gaia, tarefa bem mais simples do que decidir onde colocar a sua cruzinha, no próximo dia 20 "Acaba por ser um bocado difícil para os partidos convencer o eleitorado», diz este consultor informático, cuja opinião é a de que «não se tem jogado limpo". Referia-se "aos assuntos privados e pessoais de cada um" que têm vindo a ser discutidos na praça pública.
Experiência de vida não falta a Etelvina Silva, que garante que "nunca se viu uma campanha como a deste ano". Esta reformada afirma mesmo que "é a pior de sempre, não há dia em que se ligue a televisão e não estejam a insultar-se uns aos outros". Uma opinião partilhada pelo marido, Fernando Freitas, que diz não ter partido e assume pertencer à fatia dos eleitores ainda indecisos, acrescentando que apenas vai votar "por descargo de consciência". Fosse pela campanha e nem lá punha os pés, tamanha "a vergonha" a que diz assistir por estes dias de périplo partidário pelo País fora. "Nunca se viu uma coisa assim. Não se insultam mas diplomaticamente insultam-se", remata, visivelmente incomodado com a sua percepção dos acontecimentos.
Dos políticos nem se fala, completamente desacreditados pelos eleitores. "Isto é quase como a cantiga. É tudo muito mau mas eles querem todos ir para lá. A pocilga é a mesma, os porcos é que mudam", acusa Fernando Freitas.
"Não estão a discutir nada daquilo que os portugueses precisam de ouvir". A frase é a mesma mas o interlocutor varia. A farmacêutica Paula Santos confessa não interessar-se por política e não estar muito a par do que se vai passando. "Vou ouvindo uns ecos mas é tudo tão mau que prefiro abstrair-me", diz, sem querer tecer grandes comentários.
"Descrédito" foi mesmo das palavras mais ouvidas pelo DN. Paulo Sousa, que se identifica como director comercial, jurista e empresário, considera que "há um descrédito do povo relativamente ao poder político, traduzido numa completa falta de projectos antes das eleições, o que faz com que as pessoas não saibam como hão-de praticar o seu acto cívico de votar".
Os "zunzuns" e as polémicas "funcionam como uma desmotivação política", que depois se reflecte na "vegetação em vivem as instituições, que não funcionam", conclui Paulo Sousa, que parece compreender bem os meandros das campanhas eleitorais "Não nos devemos enquadrar nas polémicas quando sabemos que são fabricadas pelas máquinas de propaganda. Por isso não podemos perder de vista o nosso verdadeiro azimute."
Já na opinião de Raúl Silva as campanhas "nunca apresentam nada de novo, é sempre tudo igual", e volta a repetir frase do momento "Eles não falam de nada do que interessa aos portugueses..."
Também para este empregado de escritório, que ainda está a considerar a hipótese de ir votar, a edição 2005 "está a ser pior, atacam-se muito uns aos outros". Quanto aos sucessivos incidentes, "o diz que diz, o diz que faz, o diz que é", Raúl Silva pensa que "servem apenas para criar polémica, para ver se conseguem atrair as atenções".
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