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carlos rodrigues lima
O excesso de (contra) informação na campanha eleitoral tem destas coisas a birra do "menino guerreiro", ontem à noite num comício em Aveiro, passou despercebida. Do púlpito, Santana vociferou contra os que impedem que a palavra se espalhe pelo País e os fiéis apuparam os escribas da modernidade. "Não admito ser tratado desta forma", disse.
"Não concordo. Do que tenho visto, não me parece que o PSD seja prejudicado. As coisas estão 'ela por ela?". Este é o entendimento de Marco Silva, "laranja", 26 anos, técnico de frio industrial. Ao DN, refere que, "apesar de não prestar muita atenção á campanha", esta tem sido marcada por "muitos fait-divers". "Como é o caso da história do Freeport de Alcochete", realça, afirmando que apenas resta "esperar" pelos desenvolvimentos do processo para se perceber se há ou não envolvimento de José Sócrates, líder do PS.
Talvez por ter sido proferido já na madrugada de sábado, o sermão pop de Pedro Santana Lopes ainda não era do conhecimento de muitos interlocutores do DN, na descida entre a praça do Saldanha e o Marquês de Pombal, ontem ao início da tarde. Nem lhes roubou o sono. "São coisas que fazem parte das campanhas eleitorais. Mas confesso que não tenho seguido muito de perto", declarou João Topa, 23 anos, piloto. "Não vi, não ouvi, nem li. Desliguei totalmente", adianta, por sua vez, Carlos Marques, engenheiro de profissão.
Ora, para Cristina Silva, estudante de Administração Pública, o problema não está no defeito de cobertura das campanhas eleitorais, mas sim no excesso. "Quer sobre o Santana, quer sobre o Sócrates, os meios de comunicação social exageram muito", diz. Em quê, na cobertura da campanha eleitoral ou nos assuntos colaterais? "Em ambos", responde, acrescentando que o desinteresse que a campanha possa provocar prende-se com uma "falta de coerência" e de "propostas que interessem às pessoas". Na mesma linha pronuncia-se Marco Silva "Os líderes do dois maiores partidos não me convencem". E, apesar de reafirmar a condição de "simpatizante laranja", critica o estilo de campanha do PSD. "Demasiados ataques pessoais".
"Sempre tem uns mais favorecidos e outros menos", declarou João Fernandes, 34 anos, emigrante brasileiro em Portugal. Então, Santana Lopes tem razão quando afirma que "está na hora de dizer basta" e exige um "tratamento justo e equitativo"? "Com certeza. Os jornalistas têm que dar mais atenção à campanha", responde prontamente o cidadão brasileiro, para quem a cobertura de campanhas de eleitorais, "em Portugal e no Brasil", está dependente "influências" juntos dos jornalistas, o que os leva a "dar mais ou menos cobertura aos candidatos".
"Será mais uma questão de estratégia política para angariar votos do que propriamente um problema em concreto". Esta é a opinião de Paulo Pereira, 30 anos, agente da PSP. É que, embora Santa Lopes tenha exigido, num tom exaltado, bem foi perceptível o esforço vocal, um tratamento igual dos jornais face aos outros partidos, Paulo Pereira considera que nesta campanha não tem havido grandes diferenças de tratamento.
O agente da PSP acredita que os jornalistas "têm um papel fundamental" na cobertura das acções dos partidos e lá vai dizendo que, como em todas as profissões, "pode haver uns mais tendiciosos para um lado e outros para o outro". Mas, continua, "para avaliar melhor, precisava de os conhecer pessoalmente". No fundo, isto resume-se a uma questão de tendências.
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